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Evo Morales anuncia exportação de 335 mil toneladas de ureia ao Brasil

17/10/2017 19h04

La Paz, 17 out (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta terça-feira que nas próximas semanas será iniciada a exportação ao Brasil de 335 mil toneladas de ureia produzida na primeira usina petroquímica estatal boliviana.

Morales fez o anúncio em Santa Cruz de la Sierra durante um ato em que a petroleira estatal YPFB assinou convênios com o setor agroindustrial boliviano para a venda de ureia produzida na petroquímica instalada na região de Cochabamba.

Segundo o governante, dentro de duas semanas será feito um primeiro envio de 335 mil toneladas de ureia ao Brasil através de Puerto Quijarro, na fronteira entre os dois países.

"Imaginem, antes era importar. Agora vamos exportar ureia porque é a nossa indústria", disse Morales, sem dar maiores detalhes sobre como se será feita a venda ao mercado brasileiro.

A Bolívia abriu em setembro sua primeira usina petroquímica, instalada pela empresa sul-coreana Samsung na localidade de Bulo Bulo, com um custo de US$ 953 milhões e uma capacidade diária de produção de 2.100 toneladas de ureia e 1.200 toneladas de amoníaco.

As autoridades calcularam que entre 10% e 20% da produção servirá para atender a demanda interna de adubos e o resto será exportado principalmente aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Peru, Argentina e Paraguai.

Os acordos assinados hoje pela YPFB permitirão a comercialização de 14 mil toneladas métricas de ureia granulada no mercado interno.

Morales ressaltou que o setor agroindustrial comprava a tonelada de ureia a um custo de US$ 550, e agora poderá adquirir o fertilizante produzido no país por US$ 335, com "quase 50% de redução".

O presidente da YPFB, Oscar Barriga, destacou que a produção e venda de ureia no mercado local terá um "importante impacto positivo no desenvolvimento do setor do agro" e no aumento da economia produtiva para garantir a segurança alimentar.

O ministro de Hidrocarbonetos, Luis Sánchez, ressaltou que a assinatura destes convênios acontece 14 anos após a chamada "guerra do gás", uma revolta popular contra a intenção do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003) de exportar gás natural aos Estados Unidos através de um porto do Chile.

Mais de 60 pessoas morreram durante a repressão àqueles protestos sociais, que terminaram 17 de outubro de 2003 com a renúncia e fuga de Lozada para os EUA.

Segundo Sánchez, com a assinatura destes convênios, Morales "tornou realidade a industrialização" do gás natural boliviano, uma das demandas dos que se mobilizaram em 2003.