Possível saída dos EUA não está sobre a mesa, diz diretor-geral da OMC

Genebra, 1 nov (EFE).- Uma eventual saída dos Estados Unidos da Organização Mundial do Comércio (OMC) não é um assunto que esteja sobre a mesa e não foi abordado em nenhuma reunião ou diálogo com as autoridades americanas, garantiu à Agência Efe o diretor-geral da entidade, Roberto Azevêdo.

O diplomata brasileiro disse que "em nenhum momento se falou disso" na reunião realizada em meados de outubro com o representante de Comércio Exterior dos EUA, Robert Lighthizer, o funcionário de mais alto escalão do governo de Donald Trump com o qual se reuniu.

Azevêdo afirmou que tal possibilidade não foi mencionada na conversa com Lighthizer, "nem em nenhuma outra conversa com as autoridades".

"Isso jamais foi mencionado. Eu estaria preocupado se fosse um assunto que está sobre a mesa", declarou o diplomata em entrevista à Efe.

O diretor-geral da OMC disse que uma das metas de sua gestão é que os EUA, da mesma forma que os outros 163 países-membros, "vejam os benefícios da sua participação na organização e que entendam que o sistema não é perfeito, mas necessário".

Azevêdo lembrou que foi o sistema multilateral de comércio - gerenciado pela OMC - o que evitou depois da crise financeira de 2008 o surgimento de uma onda protecionista como a que nos anos 30 varreu dois terços do comércio mundial.

"Agora, dez anos depois, vemos que menos de 5% do comércio mundial foi afetado por medidas restritivas impostas pelos (países) membros, o que nos mostra que é um sistema que tem um valor intrínseco muito grande, sem o qual viveríamos num mundo muito pior", avaliou.

O diálogo com as autoridades americanas "não foi nada radical" e um dos principais temas tratados foi a conferência ministerial da OMC de dezembro, em Buenos Aires.

O brasileiro reconheceu que "os EUA veem muitas dificuldades para conseguirem acordos nessa conferência, mas eles não são os únicos, todos veem que as posições estão muito afastadas em questões fundamentais".

Os responsáveis comerciais americanos disseram que o país poderia se unir ao consenso se chegar a conclusões positivas nesta reunião. A tomada de decisões na OMC se baseia no consenso, e não em um sistema de votação.

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