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Secretário de Comércio dos EUA tem laços financeiros com Rússia e Venezuela

Washington, 5 nov (EFE).- O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, tem investimentos em uma empresa de transporte com conexão financeira direta com a família do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e com companhia estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, de acordo com uma investigação divulgada simultaneamente por vários veículos da imprensa mundial neste domingo.

Ross é um dos citados no Paradise Papers, uma coleção de 13,4 milhõess de documentos do escritório especializado em criação de "offshores" Appleby e de outras empresas em paraísos fiscais. Outros que estão na lista é o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e outros 12 assessores do presidente do país, Donald Trump, e grandes doadores do Partido Republicano.

Quando Ross se tornou secretário de Comércio, vendeu a maioria de seus investimentos, mas manteve uma participação na multinacional britânica de transporte marítimo Navigator Holdings, segundo o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ).

Ross chegou a fazer parte da direção da Navigator Holdings, e sua empresa, a W.L. Ross, se tornou a principal acionista da companhia britânica a partir de 2012.

Entre os principais clientes da Navigator Holdings está a petroquímica russa Sibur e a PDVSA, indicou o ICIJ.

O governo Trump sancionou em agosto a PDVSA. O Departamento do Tesouro acusou a petrolífera estatal de estar "fortemente associada" com a "corrupção" na Venezuela.

Quanto à Sibur, uma empresa russa que pagou mais de US$ 68 milhões nos últimos três anos, dois de seus proprietários são o genro de Putin, Kirill Shamalov, e o empresário Gennady Timchenko, punido pela Casa Branca por atividades que, segundo o Departamento do Tesouro, tinham relações diretas com o presidente russo.

Já se sabia que o secretário de Comércio tinha laços empresariais com a Rússia por ter sido vice-presidente do Banco do Chipre, que financiou oligarcas russos. O tema chegou a preocupar alguns senadores na hora de confirmar a nomeação de Ross, mas, até então, não havia provas de nenhum vínculo com Putin.

O porta-voz do Departamento de Comércio, James Rockas, disse hoje que Ross entrou na direção da Navigator depois de a empresa ter começado a negociar com a Sibur e que ele nunca conheceu o genro de Putin ou Timchenko.

"Ross decidiu se afastar da tomada de decisões (do Departamento de Comércio) de qualquer assunto relacionado com navios de transporte oceânico, mas, em geral, apoia as sanções do governo de Trump contra entidades russas e venezuelanas", disse o porta-voz quando questionado pelo caso pelo ICIJ.

Os interesses de Ross na Navigator são gerenciados por duas empresas nas Ilhas Cayman, segundo os documentos da Appleby. Isso pode gerar conflitos de interesse, já que o secretário de Comércio tem o poder de influir nas sanções americanas e em acordos comerciais.

Já Tillerson foi diretor de uma "offshore" nas Bermudas que fez negócios nos setores de petróleo e gás no Iêmen. A companhia tem laços com a ExxonMobil, presidida pelo agora secretário de Estado até janeiro.

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