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Rússia investiu milhões em Facebook e Twitter através de magnata russo

Washington, 5 nov (EFE).- Duas empresas estatais da Rússia investiram centenas de milhões de dólares no Facebook e no Twitter nos últimos anos através do multimilionário russo Yuri Milner, segundo a investigação dos Paradise Papers publicada neste domingo dezenas de veículos de comunicação de todo o mundo.

A revelação chega num momento no qual o Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos está investigando como os operadores russos usaram Facebook, Google, Twitter e outras redes sociais para tentar semear divisão e desinformação durante a campanha presidencial de 2016.

Os jornais "The New York Times" e "The Guardian", dois dos veículos de imprensa que participaram da investigação coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) sobre negócios em paraísos fiscais, informaram sobre os negócios de Milner, que possui grandes participações no Facebook e no Twitter.

O investimento no Twitter de Milner teve em 2011 o apoio de US$ 191 milhões procedentes do VTB, um banco estatal russo que frequentemente é usado para estratégias políticas, segundo o "Times".

Quanto à do Facebook, cerca de US$ 1 bilhão dos fundos que Milner investiu procediam da instituição financeira estatal russa Gazprom Investholding, que está sancionada pelos Estados Unidos, igual a VTB.

As companhias de Milner chegaram a controlar mais de 8% do Facebook e 5% do Twitter, e embora tenha vendido essas ações há cinco e três anos, respectivamente, ele continua investindo em outros gigantes do setor de tecnologia, de acordo com o jornal nova-iorquino.

Milner tem atualmente investimentos num projeto imobiliário chamado Cadre e fundado por Jared Kushner, genro e destacado assessor do presidente americano, Donald Trump.

Apesar disso, o investidor russo afirmou em entrevista para o "The Guardian" que só viu uma vez Kushner, com quem tomou um coquetel nos EUA no ano passado, e que investiu no seu negócio por puras razões comerciais.

Também afirmou que os fundos procedentes do VTB não lhe permitiram influir politicamente nos proprietários do Twitter e que não sabia que o seu investimento no Facebook se beneficiava de fundos da Gazprom Investholding, visto que essa empresa canalizou a transação mediante uma companhia opaca num paraíso fiscal.

"Não estou envolvido em atividades políticas. Não estou financiando nenhuma atividade política", ressaltou Milner.

Por sua vez, VTB e Gazprom asseguraram ao Times que as suas transações não foram motivadas por considerações políticas.

Os documentos dos Paradise Papers provêm de um vazamento de documentos da firma de advogados Appleby e Asiatici Trust, recebida pelo jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", e procedentes de 19 jurisdições que estão na lista de paraísos fiscais da OCDE.

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