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Apec quer potencializar crescimento e integração perante desigualdades

Danang (Vietnã), 8 nov (EFE).- O Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) iniciou nesta quarta-feira uma cúpula anual com o objetivo de potencializar o crescimento e a integração regional e enfrentar os desafios criados pela economia digital e pelo aumento das desigualdades.

O Apec é formado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Taipé, Tailândia e Vietnã.

A reunião, que acontece em Danang (Vietnã), coincide com uma reativação do comércio global e uma melhoria das perspectivas de crescimento, que no caso do Apec são de 3,9% em conjunto neste ano, meio ponto a mais que em 2016.

Mas também foi precedida de alertas pelos riscos que a médio prazo serão gerados pela falta de igualdade na repartição dos lucros do comércio global e pelo auge do protecionismo.

"Passaram-se quase dez anos desde a crise econômica global. A recuperação econômica é firme, mas os riscos permanecem", disse o presidente do Vietnã e anfitrião, Tran Dai Quang, no discurso de abertura do fórum.

"Os lucros do crescimento e do desenvolvimento tecnológico não foram distribuídos com igualdade. Centenas de milhões de pessoas na nossa região vivem na pobreza e sob o impacto sem precedentes da mudança climática e do desastre natural", acrescentou.

Quang pediu que a Apec mantenha sua liderança para ajudar os governos a tomar medidas que consolidem a recuperação econômica com mais integração e liberalização e que façam o crescimento mais inclusivo.

Após o discurso de Quang, economistas, analistas e empresários abordaram o futuro da globalização e do emprego para iniciar o diálogo do fórum ao qual se unirão na quinta-feira e na sexta-feira os líderes políticos das 21 economias que integram o grupo.

O marco dos assuntos a debater foi fixado durante a manhã pelos ministros de Assuntos Exteriores e Comércio em um encontro no qual o chanceler vietnamita, Pham Binh Minh, lembrou que as taxas de crescimento seguem abaixo dos níveis anteriores à crise.

"A quarta revolução industrial criou esperanças de uma maior produtividade, mas também ansiedades sobre as implicações das suas transformações", disse Minh.

Uma destas preocupações ficou evidente em um relatório do Apec apresentado na terça-feira, que fazia um alerta da perda de peso da força laboral no PIB global e, por isso, chamou a tomar medidas para fomentar o crescimento inclusivo.

A este estudo foi acrescentada um pesquisa com empresários apresentada hoje pela empresa de consultoria Price Waterhouse Coopers (PWC), que fez um alerta sobre o aumento das restrições para o comércio internacional.

A pesquisa apontou para a emergência de criar barreiras na contratação de pessoal estrangeiro e no movimento de serviços e de investimento entre países, como sintomas do denunciado crescente protecionismo.

A cúpula do Apec é a primeira realizada desde a saída dos EUA do Acordo de Associação Transpacífico (TPP), decidida pelo presidente Donald Trump após sua posse, em janeiro.

Os outros 11 países que assinaram o TPP em 2016 preveem aproveitar o encontro de Danang para seguir com as negociações que permitam recuperar este tratado de livre comércio.

Era esperado que durante a cúpula fosse anunciado algum tipo de acordo neste sentido, mas as divergências entre vários dos signatários persistem.

O Apec representa 59% do PIB mundial, 49% do comércio global e forma um mercado de cerca de 2,85 bilhões de consumidores.

Na sexta-feira será o principal dia e está previsto discursos do líderes das principais economias do grupo, como do presidentes dos EUA, Donald Trump; da China, Xi Jinping; e da Rússia, Vladimir Putin; além do primeiro-ministro de Japão, Shinzo Abe.

A cúpula terminará no sábado com um encontro de dirigentes econômicos.

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