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Furacão Maria: o golpe final contra a economia em queda livre de Porto Rico

13/12/2017 21h27

Alfonso Rodríguez.

San Juan, 13 dez (EFE).- O ano de 2017 ficará marcado na história de Porto Rico pela passagem do pior furacão das últimas décadas, um golpe definitivo contra uma ilha já afetada por uma dívida impagável de US$ 70 bilhões e uma economia em queda livre.

O dia 20 de setembro de 2017 será lembrado pelos porto-riquenhos como a data no qual o furacão Maria deixou a ilha imersa no caos e na destruição, causando 60 mortos e perdas de US$ 94 bilhões.

Apenas duas semanas antes, o furacão Irma tinha atingido Porto Rico provocando danos consideráveis, mas o Maria atravessou a ilha de sul a norte com ventos constantes de mais de 250km/h, um fenômeno que beirou a categoria 5, o índice máximo da escala Saffir-Simpson.

O pior ainda estava por vir na sequência: semanas de falta de eletricidade, água, alimentos e combustíveis. Saques em lojas e desconcerto de toda a população.

O balanço definitivo de perdas vai demorar a sair, mas o governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, estimou que o Maria deixou um prejuízo de US$ 94 bilhões na ilha.

Inicialmente, o furacão deixou sem eletricidade os 3,4 milhões de habitantes de Porto Rico. Parte deles também ficou sem água. E, a pesar da ajuda dos Estados Unidos, que deslocou milhares de soldados à região, os serviços ainda não foram plenamente restabelecidos.

Rosselló pediu ajuda aos EUA e conseguiu chamar a atenção de Washington. Visitaram Porto Rico o vice-presidente americano, Mike Pence, e o presidente do país, Donald Trump, cuja passagem pela ilha será lembrada por uma gafe: ter arremessado aos necessitados um rolo de papel higiênico, ao estilo de um jogador de basquete.

A prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, foi uma das responsáveis por captar as atenções americanas para o problema. Ela reclamou da falta de apoio da Casa Branca, críticas que geraram uma troca de farpas com Trump através de entrevistas e redes sociais.

Um contrato de US$ 300 milhões por parte da Autoridade de Energia Elétrica de Porto Rico com a Whitefish Energy, uma pequena empresa do estado americano de Montana, com apenas dois funcionários fixos, para recuperar a infraestrutura elétrica da ilha causou muita polêmica e mal-estar em Washington. O caso foi encerrado com a renúncia do diretor do órgão, Ricardo Ramos.

Foi o mesmo Ramos que, pouco depois da passagem do Maria, disse que algumas áreas da ilha só teriam luz daqui nove meses, uma declaração que acelerou o êxodo de porto-riquenhos para os EUA.

Apesar da falta de números oficiais, os especialistas afirmam que mais de 150 mil pessoas deixaram Porto Rico após o furacão.

Eles também concordam que a ilha precisará de muitos anos para voltar à situação pré-Maria, que já era critica porque Porto Rico já tinha declarado falência para reestruturar uma dívida pública na casa dos US$ 70 bilhões.

Esse processo de falência foi estabelecido pela Lei para a Supervisão, Administração e Estabilidade Econômica de Porto Rico (Promesa, na sigla em inglês), uma norma aprovada pelo Congresso dos EUA em junho de 2016 depois de o governo local não conseguir mais pagar seus credores.

A lei também estabeleceu uma Junta de Supervisão Fiscal, órgão com poderes maiores do que o governo de Porto Rico. As decisões da junta, no entanto, provocaram uma irada resposta de San Juan, que denunciou a intromissão do grupo em setores que a ilha entende estarem dentro de sua soberania.

A impossibilidade de pagar a dívida é acompanhada de uma profunda crise econômica que se prolonga há mais de uma década. A situação provocou uma queda na arrecadação de impostos, recursos que eram essenciais para que a ilha mantivesse um orçamento equilibrado.

A crise que não parece ter fim, a dívida impagável em processo de reestruturação, os conflitos políticos entre o governo local e a junta imposta por Washigton já eram suficientes para 2017 ser um ano a ser esquecido pelos porto-riquenhos. O furacão Maria só ampliou o desejo pela chegada de 2018 e por dias melhores na ilha.

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