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Luta contra a poluição na China ameaça afetar mercado mundial de gás natural

02/01/2018 06h01

Antonio Broto.

Pequim, 2 jan (EFE).- A campanha do governo da China para mudar em milhões de casas o sistema de calefação via carvão por outro menos poluente e a ajuda do vento fizeram o céu de Pequim ganhar o tom raro de azul, mas gerou uma crise energética nacional que ameaça afetar o mercado mundial de gás natural.

Os níveis de partículas contaminantes no ar de Pequim foram em novembro deste ano 54% menores do que no mesmo mês de 2016. O céu azul foi dominante durante o período, apesar de os sistemas de calefação serem normalmente ligados a partir do dia 15, o que faz os tons de cinza dominarem o horizonte da capital do país.

A mudança, no entanto, gerou problemas. Muitas cidades ficaram dias sem calefação mesmo com as temperaturas abaixo de zero.

O motivo foi uma inadequada conclusão do programa nacional de luta contra a poluição, que estabeleceu que 5,5 milhões de famílias do norte do país deixariam de usar entre 2013 e 2017 o carvão para utilizar sistemas alimentados por gás natural ou eletricidade.

Como a campanha se encerrava neste inverno, muitos governos locais tentaram cumprir as metas de última hora para evitar punições. Dessa forma, obras foram feitas rapidamente, causando problemas de fornecimento de gás em muitas casas.

"Na minha casa somente podíamos usar o gás dia sim e dia não. Nos dias que estávamos autorizados a ligar o sistema, somente podíamos acender a calefação por algumas horas à noite", contou à Agência Efe Lu Yanfeng, professora na pequena cidade de Dancheng.

O problema também provocou discussões familiares, segundo Lu. "Minha avó achava que a falta de calefação era culpa da minha mãe, que não queria ligar o sistema para poupar dinheiro", disse.

Para ela, as autoridades não planejaram bem a mudança, uma lembrança dos tempos do "Grande Salto Adiante", quando as autoridades de toda a China, correndo para cumprir as metas de fabricação de aço, deixaram a agricultura de lado. A falta de alimentos matou milhões de pessoas em todo o país.

Das 5,5 milhões de famílias que trocaram o sistema de calefação, 4 milhões fizeram a mudança neste inverno, o que mostra o atraso na aplicação do programa nacional, iniciado há quatro anos.

A política não só teve efeitos entre os moradores do norte da China, mas também no mercado mundial de gás natural, que registrou um inesperado aumento de 40% nas importações do país em 2017.

Os preços do gás exportado, segundo os analistas, quase dobraram neste ano, superando os US$ 10 por BTU. Não fosse a China, a previsão era de uma redução da demanda global e queda dos preços.

As autoridades da China reconheceram que 426 mil famílias de 30 cidades sofreram com problemas de fornecimento de gás durante o inverno. Por isso, o uso de carvão foi autorizado.

Nos últimos dias de dezembro, por causa do retorno provisório ao carvão, os índices de poluição do ar voltaram a subir, embora em níveis menores aos registrados em anos anteriores.

Em uma China na qual a luta contra a poluição se tornou uma prioridade nacional, muitos cidadãos no inverno parecem condenados a ter que escolher entre o smog das cidades ou passar frio, pelo menos neste início de transição de sistemas.

Ma Zhiquin, dona de casa de 60 anos e mãe de Lu, prefere o ar limpo, apesar de ter se irritado com o frio no inverno.

"Assim as crianças ficam doentes com menos frequência. E o frio sempre podemos superar com mais roupas", afirmou.

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