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Futuro incerto do A380 mancha os bons resultados da Airbus em 2017

Ángel Calvo.

Paris, 15 jan (EFE).- Airbus superou em 2017, pelo sexto ano consecutivo, sua rival Boeing em encomendas de aviões, com 1.109 contra 912, muito mais do que tinha antecipado, um resultado que acabou ofuscado pelo reconhecimento de que a companhia terá que deixar de fabricar seu avião gigante A380 se não conseguir novos contratos.

Após destacar essa nova vitória comercial frente a Boeing - a Airbus atingiu uma quota de mercado de 51% em valor de aviões vendidos no ano passado, com US$ 138 bilhões a preço de catálogo -, o chefe comercial da Airbus, John Leahy, encarou de frente a questão do possível desaparecimento do A380.

"Se não conseguirmos fechar o acordo com a Emirates, teremos que encerrar o programa", disse em entrevista coletiva Leahy, em referência às negociações para um novo pedido do A380 que mantém há meses - mas sem sucesso - com essa companhia aérea, que é, de longe, o maior cliente desta aeronave gigante (comprou 142 de um total de 317 vendidas).

O responsável executivo do fabricante europeu, Fabrice Brégier, comentou que "há outros clientes potenciais, além da Emirates", mas a companhia do Golfo Pérsico é "chave" para o futuro em médio prazo do A380, que não teve nenhuma unidade vendida no ano passado, quando duas encomendas foram canceladas.

Há 95 dessas aeronaves pendentes de entrega, e a Airbus deve produzir este ano 12 unidades, após as 15 de 2017. Em 2019, esse número será ainda mais reduzido, para oito. A partir daí, durante alguns anos, a produção poderia cair para seis, mas não menos do que isto por razões de eficiência industrial.

O programa do A380, que pode transportar mais de 500 passageiros em sua configuração standard, foi lançado no final do ano 2000 (o seu primeiro voo de teste aconteceu em abril de 2005) para responder às perspectivas de saturação dos aeroportos das grandes metrópoles mundiais.

Mas, desde então, a gestão do tráfego aéreo permitiu otimizar os tempos de aterrissagem e decolagem, os aeroportos com linhas intercontinentais se multiplicaram e a entrada de novos operadores deu lugar a uma fragmentação da concorrência.

Além disso, surgiram outros modelos que, apesar de não serem tão grandes, como o A350 da própria Airbus e o 787 da Boeing, são muito mais eficientes em termos de consumo de combustível e que, neste quesito, têm uma vantagem de peso em relação ao A380: só têm duas turbinas, e não quatro.

O sucesso da Airbus vem, em primeiro lugar, por sua família de aeronaves de corredor único, o A320, que representaram 1.054 das 1.109 vendas de 2017. Sobretudo, a versão modernizada "neon" (926 encomendas), que, graças aos novos motores e a melhorias em aerodinâmica, podem reduzir o consumo de combustível em até 20% em comparação com a geração anterior.

No campo das entregas, cresceram pelo 15º ano consecutivo, até 718 aeronaves (contra 688 em 2016), um novo teto histórico, mas que, mais uma vez, ficou abaixo das 763 da Boeing.

Para 2018, Brégier disse que a meta da companhia é entregar em torno de 800 aeronaves, graças a um aumento do ritmo de produção do A320neo, após superar os problemas dos fabricantes de motores, que lhe obrigaram a deixar em espera de finalização até 60 desses aviões.

Brégier também se atreveu a prever que a Airbus superará a Boeing em entregas totais em 2020.

O "número 2" do grupo europeu minimizou a importância dos efeitos que podem trazer as mudanças na cúpula da empresa: ele mesmo deverá deixar seu cargo no próximo mês e o presidente, Tom Enders, em 2019.

Sem querer entrar na espinhosa questão das investigações judiciais contra a Airbus em vários países pelo possível pagamento de propina para conseguir contratos, Brégier se concentrou em enaltecer os resultados da empresa e o seu potencial.

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