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Queixas e denúncias a sistema de alimentos subsidiados crescem na Venezuela

Nélida Fernández.

Caracas, 16 jan (EFE).- O governo de Nicolás Maduro criou em março de 2016 um sistema de venda de caixas de alimentos subsidiados como paliativo para o desabastecimento de comida em armazéns e supermercados, mas, um ano e nove meses depois, as lojas estão praticamente vazias, enquanto as denúncias e queixas aumentam.

Protestos que culminaram em saques e denúncias de corrupção no manejo destas caixas de alimentos dos chamados Comitês Locais de Abastecimento e Produção, conhecidos como CLAP, têm acontecido nos últimos dias porque nunca chegam ou demoram meses para chegar.

O governo disse que aumentará a quantidade de caixas para beneficiar mais famílias, ainda que também tenha informado sobre o aumento do preço destes pacotes de 13 ou 14 quilos de produtos que supostamente alimentam cinco milhões dos 31 milhões de pessoas que vivem na Venezuela.

As caixas contêm quatro latas de atum, duas garrafas de óleo de 900 ml, um quilo de arroz, um quilo de açúcar, um quilo de farinha de milho, dois quilos de leite em pó, dois quilos de espaguete, meio quilo de macarrão comum, dois sacos de feijão preto, dois de lentilhas, uma garrafinha de molho de tomate e um sachê de maionese.

A Agência Efe teve acesso a uma destas caixas e, além de verificar este conteúdo, constatou que todos os produtos - com rótulo - são importados e que nenhum tem o número de registro sanitário da Venezuela, o que confirma algumas das denúncias do deputado opositor Carlos Paparoni sobre este tema.

O atum é da Costa Rica, o óleo da Argentina, o macarrão peruano, o arroz da Guiana, o feijão preto e o leite são do México, a maionese é do Brasil, a farinha de milho e o açúcar são da Colômbia e o molho de tomate de El Salvador.

O espaguete é identificado como um "produto peruano", mas "importado e distribuído" por uma empresa panamenha, enquanto que as lentilhas são empacotadas em uma bolsa transparente sem identificação alguma.

As caixas cheias de alimentos, que começaram sendo bolsas, surgiram quando no país havia três tipos de câmbio, sendo o mais baixo 6,30 bolívares por dólar que, segundo o governo, só estavam disponíveis para comprar alimentos e remédios, uma taxa que já subiu para 10 bolívares por moeda americana.

Atualmente, o dólar a 10 bolívares é destinado a estas compras vitais, razão pela qual "os CLAP" deveriam ser adquiridos neste câmbio - dos dois que existem -, ainda que o governo não tenha dado números detalhados sobre este tema.

Sob estes mecanismos de câmbio as caixas passaram de custar 4.000 bolívares, quando começaram a ser distribuídas em 2016, para 25 mil bolívares.

Paparoni disse à Efe que na investigação feita pelo parlamento se descobriu que "as caixas CLAP" são compradas de empresas mexicanas através de intermediários, acusados de corrupção, que por sua vez adquirem os produtos de outros intermediários e que por isso os custos aumentaram.

No entanto, assegura que os intermediários que negociam diretamente com o governo recuperam 100% do custo, pois as compram a 22.000 bolívares e as vendem ao Estado pelo dobro a um câmbio que não foi especificado.

Paparoni declarou que estes intermediários são os empresários Samark López e Alex Saab, apesar de o primeiro ter garantido à Efe - através da sua assessoria de imprensa - que há um ano saiu do negócio dos CLAP.

A respeito de Saab a ex-procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega, declarou a jornalistas poucos após sua destituição em agosto do ano passado que havia em curso uma investigação sobre a suposta corrupção no manejo das caixas e mencionou este empresário.

Para Paparoni, o "pior" do tema CLAP é que "cada quilo do que ali está poderia ser produzido na Venezuela 14 vezes mais e assim se reativaria a economia nacional que atualmente atravessa uma severa crise".

Mas, apesar do aumento do seu custo, a caixa CLAP representa um alívio para o venezuelano comum que ganha salário mínimo de 797.510 bolívares (cerca de US$ 238 na taxa de referência oficial de 3.345) levando em conta que um litro de leite é vendido em qualquer loja a mais de 300.000 bolívares (US$ 90).

Muitos dos protestos que aconteceram recentemente têm a ver com o fato de que as caixas CLAP não chegam à maioria das famílias mais necessitadas do país, compostas por um mínimo de cinco membros.

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