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Trump agitará Davos com projeto de nacionalismo econômico e protecionismo

24/01/2018 17h21

Alfonso Fernández.

Washington, 24 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja nesta quarta-feira para Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, onde a previsão é de que desafie a elite global com sua agenda de nacionalista econômico e protecionismo comercial, batizada como "América em primeiro lugar".

O anúncio da participação de Trump, a primeira de um presidente americano desde 2000, surpreendeu, já que Davos é considerado como o grande fórum de discussão dos defensores da globalização, um conceito criticado com firmeza pelo empresário republicado.

Trump parte para a Suíça um dia depois de ter sancionado uma lei que impõe tarifas sobre a importação de placas solares e máquinas de lavar, produtos vendidos principalmente por China e Coreia do Sul, uma clara mensagem de que não pensa em voltar atrás das promessas protecionistas feitas durante a campanha eleitoral.

"Não haverá uma guerra comercial, estou certo", destacou Trump depois de assinar a lei, se antecipando às críticas por parte de economistas, que alertam sobre o risco de outros países responderem à medida com represálias aos produtos americanos.

Além disso, a imprevisibilidade do presidente americano, que viaja acompanhado de uma delegação repleta de "pesos pesados" de seu governo, como os secretários de Estado, Rex Tillerson, e do Tesouro, Steven Mnuchin, gera mais expectativa para já esperado discurso.

O discurso de Trump está marcado para sexta-feira no Fórum Econômico Mundial, que nesta 48ª edição reúne cerca de 3 mil participantes, entre eles 70 chefes de Estado e de governo.

"É difícil prever se o presidente buscará tranquilizar ou provocar Davos", disse Larry Summers, secretário do Tesouro durante o governo de Bill Clinton, em artigo no "The Washington Post".

"A atenção estará em ver se ele projeta um compromisso com valores internacionalistas ou se reitera seu truculento nacionalismo com o lema de 'Fazer a América Grande de Novo", disse Summers, citando outro dos slogans de campanha de Trump.

A Casa Branca tem tentado suavizar o discurso de Trump. O próprio Mnuchin negou hoje em Davos que o país tenha se voltado para o protecionismo. "Estamos abertos para os negócios", afirmou.

"O que é bom para os EUA é bom para o mundo", prosseguiu.

O principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, afirmou que Trump acredita que os EUA podem ter acordos "verdadeiramente satisfatórios para todas as partes" e que o lema "América Primeiro" não significa que o país estará sozinho.

"Ele dirá aos líderes mundiais que devemos nos respeitar mutuamente. Os EUA não estão se retirando de nada", disse Cohn em entrevista coletiva em Washington, comentando a saída do país de órgãos multilaterais e de acordos firmados por governos anteriores.

Durante o período que estará em Davos, Trump terá reuniões com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente da Suíça, Alain Berset, anfitrião do evento.

Além disso, está marcado um encontro com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, que assumiu recentemente o cargo de presidente temporário da União Africana.

A reunião será interessante por causa das recentes declarações de Trump, que teria chamado de "buracos de merda" alguns países africanos durante uma reunião com senadores americanos. Ruanda criticou publicamente os comentários do presidente dos EUA.

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