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Economia francesa recupera vigor com maior crescimento em 6 anos

30/01/2018 09h55

Paris, 30 jan (EFE).- A economia da França recuperou vigor em 2017, quando seu Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1,9%, a maior alta desde 2011, assentada no dinamismo do investimento, nas exportações e na resistência do consumo privado, informou nesta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INSEE).

O dado, unanimemente classificado de positivo, permitiu ao ministro de Economia, Bruno Le Maire, ressaltar a conquista e assegurar que é consequência da recuperação "da confiança de particulares e empresários desde a eleição do presidente" Emmanuel Macron.

Le Maire afirmou que as medidas adotadas pelo atual Executivo, no poder desde junho do ano passado, se traduziram nas boas cifras do quarto trimestre, quando a economia registrou uma importante aceleração, com um aumento de 0,6%.

Essa opinião não é compartilhada pela oposição conservadora, que considerou que a boa dinâmica da economia francesa responde ao contexto internacional e que as políticas adotadas pelo governo anterior, presidido pelo socialista François Hollande e no qual Macron foi ministro de Economia durante dois anos, atrasaram a recuperação.

"Qualquer presidente teria o mesmo crescimento. Hollande o atrasou. O dado é bom, mas é duas vezes mais baixo que a média mundial", declarou à emissora "BFMTV' o presidente da comissão de finanças da Assembleia Nacional, o deputado conservador Éric Woerth.

O deputado acrescentou que o Executivo deveria aproveitar o vento favorável para enfrentar as reformas económicas que, em seu julgamento, o país necessita, que passam por cortes nas despesas sociais, diminuição do número de funcionários e redução do déficit.

Ainda mais se for confirmada a previsão do INSEE, que acredita que o dinamismo se mantenha nos dois próximos trimestres, com uma subida do PIB de 0,5% no atual e de 0,4% no seguinte.

Uma tendência que o Executivo já assegurou que espera aproveitar para apresentar algumas contas para este ano com um déficit abaixo do 3% fixado pelo pacto de estabilidade europeia, as primeiras com as quais a França cumpriria esse compromisso comunitário em dez anos.

A cifra do crescimento pode dar oxigênio a Macron, cuja popularidade se viu corroída nos últimos meses nos quais adotou medidas impopulares, como a renúncia ao grande aeroporto do noroeste do país e os protestos de funcionários de prisões e pessoal hospitalar.

A economia francesa acelerou em relação a 2016, quando o PIB tinha crescido 1,1%, um ritmo insuficiente, segundo os especialistas, para gerar emprego.

O INSEE previu que a nova dinâmica servirá para reduzir ligeiramente a taxa de desemprego e situá-la em 2018 em 9,4% da população ativa, três décimos a menos que a atual.

O dinamismo da economia francesa repousou em 2017 na melhora dos investimentos, que cresceram 3,7%, frente ao 2,7% do ano anterior, apesar das administrações públicas a terem reduzido em 0,8%.

Foram as empresas as que suportaram o essencial dessa dinâmica, com um aumento dos investimentos de 4,3%, frente ao 3,4% de 2016.

O outro pilar foram as exportações, que subiram 3,5%, frente ao 1,9% de 2016, o que, somado a uma estabilização das importações (4,3% frente ao 4,2% de 2016), contribuíram para atenuar o impacto negativo do saldo comercial, que amputou quatro décimos do PIB, a metade que no ano anterior.

Por sua vez, o consumo privado melhorou 1,3%, frente ao 2,1% de 2016, marcado por um retrocesso nas compras de bens.

Quanto a produção de bens, a França registrou um aumento de 2,3%, após o 0,9% de 2016, com uma dinâmica especialmente positiva na indústria (2%) e na construção (2,4%).

O que também progrediu foi a produção agrícola, 2,3%, frente à queda de 5,6% de um 2016 marcado pelas desfavoráveis condições meteorológicas.

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