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Santander Brasil manifesta preocupação com reformas depois das eleições

31/01/2018 13h44

São Paulo, 31 jan (EFE).- O presidente da filial do Banco Santander no Brasil, Sergio Rial, disse nesta quarta-feira que está "preocupado" com a possibilidade de um cenário no qual o candidato que vencer as eleições presidenciais deste ano não se comprometa com uma agenda de equilíbrio fiscal.

"É um cenário que me preocupa, é um cenário em que se pode ter a volta de uma desaceleração acentuada da economia com todas as suas implicações", afirmou Rial, em um encontro com jornalistas para comentar os resultados do banco em 2017.

Na opinião do executivo, sem a continuidade de uma "agenda de equilíbrio fiscal" o Brasil estaria colocando "uma faca em seu pescoço como nação".

"O que vai acontecer se, depois das eleições, nos depararmos com um governante claramente não reformista, se a reforma da previdência não for em frente, etc.? O cenário que pode acontecer é exatamente o mesmo do qual estamos saindo", comentou Rial ao analisar os fatores de risco para o banco em 2018.

Com essas palavras, o chefe da filial brasileira do banco espanhol se referiu à profunda recessão econômica que o país viveu entre 2015 e 2016, período no qual o Produto Interno Bruto (PIB) caiu mais de 7%.

O panorama em relação às eleições de outubro é bastante incerto, pois, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e divulgada hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) mantém clara vantagem sobre os outros possíveis aspirantes.

Não obstante, não existe certeza sobre a candidatura do ex-presidente, já que ele poderia ser inabilitado depois que o TRF4 ratificou e aumentou de nove para 12 anos de prisão a sentença emitida por Sérgio Moro no processo do tríplex do Guarujá, relacionado com a Lava Jato.

Entre os riscos que poderiam afetar o Santander Brasil, Rial indicou que "qualquer movimento importante no dólar continua sendo um desafio em potencial" num contexto de "aceleração" da economia dos Estados Unidos.

O executivo também frisou que a tendência do mundo é reduzir a "carga tributária" e, neste sentido, indicou que "o Brasil não pode ser uma ilha".

"Acredito que a agenda brasileira de equilíbrio fiscal, com um mundo que está tendendo para a exoneração, representa um desafio adicional no processo de busca do equilíbrio fiscal", opinou Rial.

Apesar dos fatores de risco, o executivo indicou que o Brasil começou o ano com uma "dinâmica ótima" e uma "demanda de crédito forte", que deve se sustentar ao longo de 2018, especialmente no mercado imobiliário.

"Existe espaço para que o Santander continue crescendo", acrescentou Rial, que também manifestou seu desejo de que "as grandes empresas retomem sua agenda de investimentos" para consolidar a expansão que o país experimentou em 2017.

Para o executivo do Santander, na medida em que a economia começar a melhorar, haverá "maior apetite" na demanda de crédito em comparação com outros anos.

O Santander Brasil obteve em 2017 um lucro líquido recorde de R$ 9,953 bilhões, o que representa um aumento de 35,6% em relação a 2016 e o melhor resultado de sua história.

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