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Novos tempos no mercado de brinquedos leva Toys "R" Us a fechar 182 lojas

Sergi Santiago.

Nova York, 1 fev (EFE).- Cinco meses após decretar falência, a tradicional rede Toys "R" Us anunciou recentemente o fechamento de 182 lojas, uma medida provocada pelas mudanças de interesse das crianças, cada vez mais voltadas a tablets e outros produtos eletrônicos e menos aos brinquedos tradicionais.

Quando iniciou o processo de falência, a empresa manifestou o desejo de manter em funcionamento as 1.600 lojas, mas depois decidiu arriar as portas de 20% delas, fechamentos que se somam aos que aos que já tinham acontecido em anos anteriores, alguns deles bastante emblemáticos.

Em 2015, a Toys "R" Us se viu obrigada a fechar a famosa unidade da Times Square - que tinha até roda gigante - ao se ver incapaz de pagar o alto preço do aluguel do imóvel. No mesmo ano, houve o encerramento das atividades da loja mais icônica de Nova York, a FAO Schwarz. O preço do aluguel também foi o principal empecilho. A General Motors, proprietária do local, impôs um valor impossível de arcar. Em pouco tempo, o espaço se transformou em uma loja da Apple, numa perfeita metáfora do atual momento da indústria.

Yael Kropsky mora no Brooklyn, com a filha de 8 anos, e há tempos não entra em uma loja de brinquedos. Ela disse que costuma comprar presentes na Amazon, além de reaproveitar peças que consegue com pessoas próximas.

"Há sim ocasiões em que quero comprar algo especial, como no aniversário da minha filha, e então vamos a uma loja de brinquedos, mas sempre tento apoiar o comércio local", defendeu ela, dizendo que a crise da indústria bate com ainda mais força nas lojas de bairro.

Devido a seu modelo de negócios, não há como acompanhar os altos e baixos financeiros da Toys "R" Us, mas alguns de seus maiores acionistas, também gigantes da indústria dos brinquedos, estão na bolsa de valores. Esse é o caso da fabricante Mattel, que nos últimos seis meses despencou 21,1% na bolsa, e da Hasbro, que perdeu 10,1% no mesmo período.

"A reinvenção das nossas marcas requer que tomemos decisões duras", desculpou-se o diretor-chefe da Toys "R" Us, David Brandon, ao anunciar o fechamento das lojas.

Naomi Moskowitz, mãe de quatro crianças com idades entre 6 e 12 anos, admitiu que tenta evitar esse tipo de loja, porque os filhos tendem a ficar agitados e "querem levar tudo". Por conta disso, ela prefere comprar na internet, exceto em ocasiões especiais.

"No Natal e nos aniversários, compramos cartões de presente na Toys "R" Us com valores determinados. Aí, vamos lá, e as crianças escolhem o que querem, sabendo que têm que se adaptar a um orçamento específico", detalhou.

Nos últimos Natais, a FAO Schwarz cumpriu a promessa de voltar, mas em parte. No lugar de uma loja efetiva, a marca optou por instalar uma loja temporária no sul do Central Park, que abriu somente no período natalino.

No ano passado, um estudo da organização Common Sense Media revelou que, atualmente, crianças com menos de 9 anos passam mais de duas horas por dia na frente de monitores, o triplo do tempo que era gasto há quatro anos.

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