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Presidente de metalúrgica japonesa renuncia por falsificação de dados

06/03/2018 10h12

Tóquio, 6 mar (EFE).- A metalúrgica japonesa Kobe Steel anunciou nesta terça-feira a renúncia de seu presidente, Hiroya Kawasaki, após o escândalo da falsificação de informações técnicas revelado no final de 2017, que afetou mais de 500 companhias em todo o mundo.

Além de Kawasaki, de 63 anos, que também era o executivo-chefe (CEO) do conglomerado, renunciou o vice-presidente-executivo, Akira Kaneko, quem também era o responsável pelos negócios de alumínio e cobre, os materiais mais afetados pela manipulação.

Junto às renúncias de Kawasaki e Kaneko, que se tornarão efetivas em 1º de abril, a Kobe Steel anunciou hoje a saída dos presidentes de Kobelco & Materials Copper Tube e Shinko Metal Products, filiais envolvidas no escândalo, e a de outros dois executivos.

O anúncio da reestruturação da direção no conglomerado aconteceu no mesmo dia em que a Kobe Steel publicou os resultados da auditoria externa que foi estabelecida no final de outubro, quando o caso veio à tona.

Mais de 500 empresas

A metalúrgica japonesa reconheceu na época que dezenas de milhares de toneladas de produtos de alumínio, aço, cobre, limalhas de ferro e materiais de pulverização catódica - usados para produzir telas de cristal líquido - foram alterados e os materiais adulterados foram enviados a mais de 500 empresas.

A fraude consistiu na manipulação dos certificados das inspeções internas, que foram reescritos para fazer com que os dados cumprissem com as especificações solicitadas por seus clientes ou diretamente inventados, sem que qualquer teste fosse realizado.

Alguns funcionários teriam acobertado as irregularidades, entre eles dois integrantes do alto escalão que, sabendo delas, não informaram a respeito, nem tomaram medidas para acabar com as mesmas, segundo revelou hoje a Kobe Steel, a terceira maior siderúrgica do Japão.

Entre as companhias que receberam os produtos adulterados estavam fabricantes automobilísticos locais como Toyota, Nissan, Honda, Mazda e os americanos General Motors e Ford, além de empresas de setores que vão desde o aeronáutico e o ferroviário até o de equipamento militar.

Apesar de mais de 94% das empresas afetadas terem constatado a segurança dos materiais adulterados da Kobe Steel, o caso, junto com ama sucessão de infrações similares que afetaram outras empresas, como várias filiais da Mitsubishi Materials, minou a credibilidade do setor privado japonês.

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