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Zozaya, da Apple Leisure Group: "Trump afetou muito o setor turístico"

08/03/2018 16h41

Berlim, 8 mar (EFE).- O hoteleiro mexicano Alejandro Zozaya, executivo-chefe da Apple Leisure Group, alertou hoje sobre os prejuízos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está causando ao setor turístico com sua retórica nacionalista, o veto migratório, os alertas a viajantes e o endurecimento de vistos.

Zozaya, que lidera um conglomerado turístico vertical com 52 hotéis operacionais e outros 20 em construção e inclui a maior operadora de turismo da União Americana e outras empresas de serviços ligados a esta indústria, considera que Trump tem impacto tanto sobre o fluxo de turistas estrangeiros para os EUA como o de americanos ao exterior.

"Trump afetou muito o setor turístico", declarou o mexicano em entrevista à Efe na ITB de Berlim, a maior feira de turismo do mundo e da qual participa há 26 anos.

"Desde a sua retórica, desde promover o nacionalismo para que o americano viaje dentro dos EUA, até colocar obstáculos e dificuldades a terceiros países. O tema dos vistos, o 'travel ban', a segurança nos aeroportos...", denunciou.

O discurso nacionalista é o problema, como no caso do "brexit", argumentou Zozaya, que alega que os EUA perderam turistas em 2016 e 2017, quando a maioria dos grandes destinos crescia.

Cuba e México foram dois dos principais prejudicados pelo efeito Trump sobre o turismo, apontou o executivo-chefe da Apple Leisure Group, além de indicar que "inclusive Havana está sofrendo tanto em ocupações como em tarifas".

O México, por sua vez, passou a se recuperar após a queda que sofreu entre agosto e novembro, graças ao crescente turismo doméstico e ao aumento da demanda europeia e do turismo latino-americano (principalmente Colômbia, Argentina, Chile e Brasil).

Além disso, segundo ele, "a percepção do risco-país" do México caiu após o pico de 2010-2012 e está crescendo a participação de investidores europeus.

México e Caribe cresceram em geral, assim como a América Latina em seu conjunto, porque México, Brasil e Argentina estão em alta, e apesar da "desgraça" da Venezuela, uma situação "realmente triste".

Zozaya opinou que a difusão do turismo "é algo bom, porque promove a tolerância, combate a ignorância, fomenta o conhecimento, o respeito a outros países e a paz", além de ter um "efeito democratizador" em termos de redistribuição econômica.

Entretanto, o executivo reconhece o problema da massificação e aponta a grande participação, nesse aspecto, dos cruzeiros, que "deixam muito pouco lucro" e "geram muito poucos empregos" onde atracam, inibem a oferta hoteleira e pagam impostos "mínimos", apesar de sua "grande utilização dos recursos naturais e históricos".

Os governos locais os promovem, acrescentou Zozaya, "porque a estatística sobe". A entrada de turistas aumenta de maneira dramática, mas os gastos médios, não".

"É inevitável falar mal dos cruzeiros. Causaram muito dano. É impressionante. Seu uso dos recursos é indiscriminado, o que afeta dramaticamente a experiência do turista", disse o executivo em relação aos viajantes de gastos mais elevados.

"A concorrência é bem-vinda, e os cruzeiros fizeram algumas coisas muito bem. Mas o melhor, o lobby. É impressionante a força que têm no lobby com os governos", comentou.

Para Zozaya, é necessário estabelecer regras homogêneas para todos, algo que é aplicável aos cruzeiros e também a serviços como o Airbnb, portal de hospedagem por temporada em que a negociação é feita entre particulares.

"Enquanto quem ganhar for o consumidor, estaremos de acordo. Que não haja freios à concorrência, mas com as mesmas condições", ressaltou o executivo-chefe, que critica o Airbnb por não contribuir para as promoções turísticas como fazem os hoteleiros.

Por último, Zozaya ressaltou o papel "essencial" da conectividade e defendeu a liberalização do setor aéreo. "As regras do jogo mudariam de forma substancial. Ccredito que geraríamos muito mais tráfego", afirmou.

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