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América Latina deve aproveitar bonança para reformar economia, sugere ONU

Mario Villar.

Nações Unidas, 12 mar (EFE).- Com um novo ciclo de crescimento econômico à vista, a América Latina deve aproveitar os próximos anos para diversificar sua economia e, especialmente, melhorar a qualidade dos seus mercados trabalhistas, sugeriu a ONU.

"Deveria ser a janela de oportunidade, agora que há dinamismo, de avançar a uma diversificação produtiva muito mais agressiva", afirmou George Gray Molina, economista-chefe para América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Em entrevista à Agência Efe às vésperas do Fórum Econômico Mundial de São Paulo, este especialista explicou que a transformação econômica é fundamental para continuar avançando na luta contra a pobreza e contra a exclusão, após os progressos conquistados na primeira década deste século.

Durante aquele etapa do "boom latino-americano", a região conseguiu tirar da pobreza 74 milhões de pessoas, mas a desaceleração posterior devolveu 18 milhões a essa situação.

Agora, segundo Gray, a receita não pode ser a mesma que então: "O maior perigo seria pensar que mais do mesmo vai resultar em maior conquista social e econômica".

A década passada, lembrou o economista, premiou a inserção trabalhista de baixa qualificação, ajudando a aumentar a renda de muitos e a tirar gente da pobreza, mas esse modelo tem limitações claras.

"A produtividade da economia tem que mudar", destacou Gray, que comemora o crescente debate que se dá na região sobre a importância de melhorar os mercados trabalhistas.

Segundo ressaltou, atualmente se está pondo "o dedo na ferida" e vários países estão desenvolvendo estratégias positivas neste sentido.

"A baixa qualificação trabalhista foi boa para criar trabalhos rápidos que geraram receita na base da pirâmide, mas é ruim porque mais do mesmo não vai render", comentou.

Segundo o PNUD, junto às políticas de diversificação econômica são necessárias também "políticas sociais que acompanhem esse processo".

O momento para essa transformação é propicio, aos olhos da ONU, pois se prevê o início de um ciclo econômico positivo no continente após vários anos de desaceleração, incluindo dois de contração.

As estimativas indicam que América Latina e Caribe crescerão este ano entre 2,2% e 2,4%, quase o dobro que no ano passado, apoiadas principalmente no Brasil e no México e no avanço do preço das matérias-primas.

O crescimento, no entanto, não voltará aos níveis da década passada, razão pela qual é fundamental concentrar-se em sua "qualidade", se a intenção for seguir avançando em uma região onde 130 milhões de pessoas seguem abaixo da linha da pobreza, assinalou Gray.

Um assunto central nesse âmbito é impulsionar a inserção da mulher, pois a participação feminina no mercado de trabalho está atualmente em 53%, 27 pontos abaixo da dos homens, o que representa uma "lacuna enorme", lamentou o economista.

"Nós acreditamos que a política social latino-americana poder fazer muito mais pela inserção trabalhista da mulher", opinou Gray.

Para isso, segundo afirmou, é necessário "repensar" os sistemas de cuidado (as mulheres dedicam três vezes mais tempo às tarefas do lar que os homens), reduzir a "segregação ocupacional" (que encurrala as mulheres em certos setores) e impulsionar esquemas de proteção social.

Quanto aos diferentes modelos políticos que existem na região, o especialista destacou que a experiência demonstrou que há diferentes vias para conseguir resultados parecidos.

Como exemplo, citou como os quatro casos de maior redução da pobreza no continente durante os últimos 15 anos reúnem dois países mais abertos ao mercado (Peru e Paraguai) e outros dois que apostaram na tese do denominado socialismo do século 21 (Bolívia e Equador).

"Constatamos que não é um modelo único o que gera crescimento e redução da pobreza, mas são vários modelos os que estão aproveitando a conjuntura", garantiu Gray.

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