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"América Latina Primeiro": o desafio de uma região em plena mudança

São Paulo, 14 mar (EFE).- Mais de 350 milhões de eleitores poderão votar por uma mudança neste ano na América Latina, uma região em plena transformação que busca uma estratégia para seu futuro, ou seu "Latin American First" (América Latina primeiro, em inglês), como afirmou nesta quarta-feira a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, no Fórum Econômico de São Paulo.

Os desafios da região afloraram durante uma intensa jornada de debates que abordou as mudanças políticas, econômicas - especialmente pela ameaça representada pela política protecionista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - e os graves problemas compartilhados, como a desigualdade e a corrupção.

"A única coisa que quero é ouvir qual é o 'Latin American First' que os líderes da região vão nos propor", disse Bárcena durante um dos debates do fórum, realizado até amanhã na capital paulista.

A reivindicação faz menção ao "America First" ("EUA primeiro"), lema de Trump dos Estados Unidos na campanha que o levou à Casa Branca.

A sombra do presidente americano pairou hoje sobre o fórum, onde políticos e empresários falaram sobre a sua política protecionista e o aumento das tarifas sobre o aço e o alumínio, que tem impacto direto em países como o Brasil, que já anunciou a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O presidente Michel Temer insistiu hoje que, caso seja necessário, buscará aliados para levar os EUA à OMC, e o diretor-geral da organização, o brasileiro Roberto Azevêdo, admitiu que a decisão de Trump submerge o comércio mundial em "águas desconhecidas".

Para Bárcena, a guinada impulsionada por Trump representou "uma mudança de paradigma econômico" nos Estados Unidos.

"Qual é a mudança de paradigma (na América Latina)" e qual é a "nova narrativa" em um ano marcado por eleições em Brasil, Colômbia, México, Costa Rica, Cuba, Paraguai e Venezuela?, perguntou a chefe da Cepal.

Há, segundo Bárcena, "várias desconexões entre a política e a economia" e entre "o aparente bom ciclo econômico" da América Latina e a "percepção das pessoas".

"Não estamos atuando em velocidade da mudança e não estamos incluindo todos no projeto de inovação. Por isso se fala de mais do mesmo: mesmos partidos políticos, continuamos falando da mesma classe política, elite política e econômica", advertiu.

Ainda de acordo com Bárcena, a região sofre com o fenômeno da "cultura dos privilegiados", e "a sociedade está cansada" desse paradigma "de que só um grupo de influência tenha acesso a capital, trabalho e tecnologia ".

A América Latina tem "instituições do século XIX, com líderes do XX para conduzir sociedades do século XXI", lamentou Daniel Zovatto, diretor para a América Latina e o Caribe do Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (Idea Internacional).

"Se continuarmos com reformas, mas não atualizarmos as instituições, o impacto das reformas não vai poder avançar. Não se pode avançar na economia sem melhorar a qualidade da política", acrescentou.

Segundo o Projeto de Opinião Pública Latino-americana (Lapop), a confiança dos eleitores desabou, afetada pela crise econômica, a insegurança e os escândalos de corrupção.

E a corrupção é justamente um dos temas principais do fórum e será analisada amanhã em profundidade em um debate moderado pelo presidente da Agência Efe, José Antonio Vera, e que contará com a participação, entre outros, da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e o ministro da Justiça, Torquato Jardim.

A XIII edição do Fórum Econômico para a América Latina reúne até amanhã mais de 750 políticos, empresários, comunicadores e analistas de mais de 40 países para debater os desafios e as oportunidades da região.

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