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Risco de "guerra comercial" com EUA preocupa Fórum Econômico Mundial

São Paulo, 14 mar (EFE).- A ameaça de uma "guerra comercial" devido à política protecionista dos Estados Unidos se transformou nesta quarta-feira em um dos temas do dia no Fórum Econômico Mundial para América Latina que acontece em São Paulo.

Embora o assunto não estivesse formalmente na agenda do Fórum, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de elevar as tarifas às importações de aço e alumínio preocupa políticos, empresários e analistas latino-americanos.

"Se não fosse pela OMC já estaríamos em uma guerra comercial", admitiu hoje o presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo.

"Estamos tentando evitar a guerra comercial. E acredito que o momento atual é melhor que o que estávamos antes, porque começou o diálogo, começou a conversa entre as partes e isso é um caminho. Sem o diálogo não vamos encontrar solução", destacou.

Azevêdo não ocultou seu temor de um "efeito dominó" se não se optar pelo diálogo, pela possibilidade de que outros países adotem "medidas unilaterais".

Mesmo assim, reconheceu que o "início do diálogo" para "diminuir o impacto da medida" tomada pelos Estados Unidos pode abrir caminhos que evitem "atritos irreversíveis".

No continente americano, México e Canadá estão isentos - temporariamente - das tarifas impostas por Trump, de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, porque são parceiros de Washington no Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).

Pelo contrário, o Brasil é um dos mais afetados pela medida, dado que os Estados Unidos são o principal destino das suas exportações de aço e o setor emprega mais de 200.000 pessoas no país.

"Se não houver solução amigável muito rápida vamos formular uma representação na OMC, não unilateral, mas com todos os países prejudicados", disse hoje o presidente Michel Temer, durante a sessão de abertura do Fórum.

"Há uma grande preocupação com este tema", admitiu Temer, que defendeu que se trate "com cuidado" as relações com os Estados Unidos.

Neste processo, o governo pretende contar com a iniciativa privada e buscará "conectar as empresas brasileiras provedoras com as empresas americanas que recebem o material".

"Nós aqui estamos contra qualquer protecionismo. Estamos a favor da abertura plena", ressaltou Temer, em sua primeira alusão direta ao conflito.

O presidente antecipou sua intenção de telefonar em breve para Trump para tentar aproximar posições, embora o Brasil já tenha começado a negociar com a Casa Branca em uma tentativa de evitar um litígio na OMC que demoraria anos e não beneficiaria à economia brasileira.

O Brasil alega que não constitui uma ameaça para os Estados Unidos porque cerca de 80% das suas exportações de aço são de produtos semimanufaturados - um importante insumo para o setor americano - e pelo fato de que é o maior importador do carvão siderúrgico dos EUA, com compras que somaram US$ 1 bilhão no ano passado.

Por outro lado, a crise comercial impulsionou as conversas com outros parceiros, como as que o Mercosul mantém com a União Europeia e o Canadá sobre acordos de livre-comércio.

De fato, nos últimos dias, Temer divulgou que recebeu mensagens da chanceler alemã Angela Merkel e teve conversas telefônicas com o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy; o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, e o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, com quem tratou sobre a conveniência de avançar na assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a UE.

A 13ª edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial acontecerá até quinta-feira com a participação de 750 políticos, empresários, comunicadores e analistas de 40 países do mundo para discutir uma nova narrativa na América Latina.

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