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Após escândalo, ações do Facebook sofrem pior queda na bolsa em cinco anos

19/03/2018 14h38

Nova York, 19 mar (EFE).- As ações do Facebook estão caindo mais de 7% nesta segunda-feira, a maior queda dos papéis da empresa em Wall Street nos últimos cinco anos, após a revelação de que uma empresa de consultoria manipulou com fins políticos informações de mais de 50 milhões de usuários da rede social nos Estados Unidos.

No meio pregão, as ações do Facebook eram cotadas a US$ 172, um declínio de 7,09%, a pior queda desde dezembro de 2012. Segundo os analistas, o resultado se traduziria em perdas de US$ 40 bilhões.

A queda do Facebook afetou dois dos três indicadores da Bolsa de Nova York: o Nasqad caía 2,13% e o S&P 500 recuava 1,46%. E também contagiou outras grandes empresas do setor tecnológico, como a Alphabet (-3,40%), Amazon (-2,14%) e Netflix (-2,28%).

Os jornais "The London Observer" e "The New York Times" revelaram que a consultoria britânica Cambridge Analytica obteve em 2014 dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook nos Estados Unidos. As informações foram usadas para construir uma base de dados que tentava prever as decisões dos eleitores e influenciá-las.

O caso provocou muita revolta nos EUA e no Reino Unido. Parlamentares britânicos e americanos já exigiram que o Facebook se explique formalmente. Além disso, a empresa pode receber uma multa milionária pela possível violação das normas da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) sobre proteção da privacidade dos usuários.

A procuradora-geral do estado de Massachusetts, Maura Healey, anunciou no próprio sábado a abertura de uma investigação contra o Facebook e a Cambridge Analytica, contratada em junho de 2016 pela campanha do agora presidente Donald Trump por US$ 6 milhões.

O Facebook anunciou na sexta-feira a suspensão das contas da Cambridge Analytica e de sua matriz, Strategic Communication Laboratories (SCL). No mesmo dia, a rede social informou sobre o vazamento de dados, descoberto pela empresa em 2015.

Um professor russo-americano da Universidade de Cambridge teve acesso aos perfis de milhões de usuários do Facebook que deram acesso ao aplicativo "This is your Digital Life". O serviço oferecia o prognóstico da personalidade da pessoa com fins acadêmicos.

Cerca de 270 mil pessoas autorizaram que o aplicativo tivesse acesso as suas informações pessoais e de seus contatos, o que era permitido pela política de privacidade do Facebook. Dessa forma, o professor obteve dados de 50 milhões de usuários, segundo o "Times".

Posteriormente, ele repassou essas informações para terceiros, entre eles a Cambridge Analytica, infringindo assim as normas do Facebook, explicou em comunicado o vice-presidente e membro da equipe jurídica da empresa, Paul Grewal.

O Facebook apagou o aplicativo em 2015 e exigiu que os envolvidos destruíssem os dados coletados. "Aparentemente isso não ocorreu", disse Grewal.

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