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Guerra comercial entre EUA e China pode ser nefasto para economia, diz OMC

12/04/2018 11h09

Isabel Saco.

Genebra, 12 abr (EFE).- A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China começou, pelo menos no plano político, alimentando uma incerteza que poderia ter efeitos nefastos na economia e no comércio mundial e que faz com que qualquer previsão sobre sua evolução seja muito incerta, advertiu nesta quinta-feira a Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Politicamente devemos estar vendo o seu início (da guerra comercial) e isso é exatamente o que pedi aos membros (da OMC) que tentem evitar", reconheceu o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, em entrevista coletiva.

Azevêdo enfatizou, no entanto, que "tecnicamente" essa situação ainda não é uma realidade, já que certas medidas restritivas anunciadas pelos Estados Unidos - e que afetam em particular a China - ainda não começaram a ser aplicadas.

O diretor-geral da OMC fez esses comentários na apresentação à imprensa do relatório anual da organização sobre as perspectivas comerciais mundiais, que prevê 4,4% de crescimento do comércio mundial para este ano, três décimos a menos que em 2017.

Essa evolução terá uma pequena queda em 2019, e deve se situar em torno de 4%, abaixo da média de 4,8% registrada desde os anos 1990, mas claramente acima da média de 3% do período posterior à crise financeira e econômica de 2008.

O comércio internacional de mercadorias chegou ao fundo do poço em 2016, ano em que o seu crescimento apenas alcançou 1,8%, mas, desde então, a recuperação foi constante.

No entanto, o relatório da OMC reconhece que todas as previsões são "extremamente indefinidas", pois a incerteza ganhou espaço, não só pela guerra comercial que está em gestação, mas também porque as tensões geopolíticas dispararam.

"Para nós, como organização, nos preocupa o resultado final desta situação. Se vemos um aumento das tensões e de ameaças aqui e ali, é provável que a volatilidade dos mercados se acentue", opinou Azevêdo.

A impossibilidade de fazer prognósticos sérios - acrescentou o diretor-geral da organização - desencorajará os investimentos, o que, por sua vez, terá um impacto negativo no crescimento econômico e na geração de emprego.

A incipiente guerra comercial foi lançada pelos EUA com seu anúncio de um aumento nas tarifas sobre alumínio e aço, em 10% e 25%, respectivamente, que foi acompanhado por uma medida similar que afetará 1.300 produtos da China que incluem tecnologia de ponta.

Diante disso, a China respondeu com uma série de contramedidas aos EUA.

Além disso, o governo de Pequim solicitou na OMC consultas aos EUA sobre as medidas, o primeiro passo do que se prevê que será uma longa batalha jurídica que terá que ser resolvida separadamente por grupos de arbitragem da organização, a menos que Washington retifique.

A OMC teme agora que a situação criada tenha tamanha repercussão que "anule" os progressos em matéria de crescimento em todas as regiões do mundo.

"A última coisa que a economia mundial precisa é de um ciclo de represálias. A melhor maneira de abordar os problemas comerciais prementes entre os membros da OMC é através de uma ação coletiva", opinou Azevêdo.

Após mais de um ano sem embaixador, a missão dos EUA na OMC em Genebra voltou a ter um recentemente com a chegada de Dennis Shea, que foi vice-presidente de uma comissão do Congresso dedicada a avaliar as relações econômicas, comerciais e de segurança com a China.

Azevêdo disse hoje que teve uma primeira reunião com Shea e que o que conversou com ele se ajusta às posições expressadas por outros funcionários do primeiro escalão do governo americano com os quais se reuniu antes.

"Segundo entendo, o seu compromisso se mantém" com a OMC, declarou Azevêdo.

Ao ser perguntado sobre como vê o papel da China na organização, o diretor-geral ressaltou o compromisso que esse país mostrou desde a sua adesão à organização em 2001, e confessou que espera que os chineses mantenham essa atitude e que discutam com os outros países-membros "as questões que foram colocadas sobre suas práticas e regulações".

"Felicito a disposição do governo da China de sentar-se à mesa e de discutir essas questões seriamente", declarou Azevêdo.

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