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Aumento da inflação nos EUA pode causar tempestade financeira, diz FMI

18/04/2018 12h12

Washington, 18 abr (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta quarta-feira que um surpreendente aumento da inflação nos Estados Unidos, por consequência do agressivo estímulo fiscal lançado pelo presidente Donald Trump, pode provocar "fortes" tensões financeiras globais ao forçar os bancos centrais a responderem com "firmeza".

"A inflação poderia crescer mais rápido que o previsto atualmente, possivelmente empurrada pela significativa expansão fiscal que os Estados Unidos iniciaram", indicou Tobias Adrian, diretor do Departamento de Assuntos Monetários do FMI, ao divulgar o relatório de Estabilidade Financeira Global da organização.

Adrian afirmou que "os bancos centrais poderiam responder a esse aumento da inflação com mais firmeza do que o esperado neste momento, o que poderia produzir uma forte constrição das condições financeiras".

O Congresso dos EUA aprovou em dezembro um agressivo plano de cortes de impostos para as empresas e, em menor medida, para os trabalhadores. Além disso, pouco depois foi aprovada uma lei de gasto público que elevou os recursos para defesa.

O governo Trump também está promovendo no Congresso um plano multimilionário de investimentos em infraestrutura.

O economista assinalou que este estímulo fiscal pode superaquecer a economia e provocar um aumento da inflação, o que levaria o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) a acelerar sua previsão de ajuste monetário.

O Fed, que elevou as taxas de juros para a categoria de entre 1,5% e 1,75%, já adiantou que prevê outros dois aumentos ao longo de 2018.

Isso teria grandes consequências para outros bancos centrais - como o Banco Central Europeu (BCE), que mantém os juros próximos de zero para estimular a economia e avança de forma mais lenta no ciclo de ajustes - e estes se veriam obrigados a reagir, indicou o FMI.

O relatório ressaltou que "as vulnerabilidades financeiras, que se acumularam durante os anos de juros extremamente baixos e volatilidade, podem fazer com que o caminho à frente tenha sobressaltos e ponha o crescimento em risco".

A publicação do relatório coincide com a assembleia de primavera (hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial (BM), que acontece esta semana em Washington e para a qual estão convocados os ministros de Economia e governadores dos bancos centrais de seus 189 países-membros.