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Philip Morris se aproveitou da dependência à nicotina desde 2000, diz estudo

01/05/2018 22h11

Washington, 1 mai (EFE).- A maior companhia de tabaco do mundo, a americana Philip Morris, identificou a nicotina como o principal impulsor do hábito de fumar em 2000 e redefiniu suas políticas para promover seu uso, segundo um estudo publicado nesta terça-feira na revista especializada "PLOS Medicine".

Depois de décadas negando o papel da dependência da nicotina na dependência ao tabaco, a Philip Morris, dona de marcas como Malboro, tinha uma compreensão interna da dependência ao tabaco superior à que admitia de maneira pública, como revelaram documentos secretos da empresa publicados por causa de um litígio que responde na Justiça.

Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco analisou estes documentos para explorar a compreensão da companhia sobre a dependência e descobriram que a Philip Morris aproveitou então seu conhecimento para focar suas promoções e produtos.

Os autores Jesse Elías, Yogi Hendlin e Pamela Ling descobriram que a tabacaria continuou estudando a dependência durante a década de 2000 para desenvolver produtos de nicotina "bem-sucedidos e potencialmente mais seguros".

Além disso, após analisar os documentos secretos, constataram que desde meados da década dos anos 1990 até pelo menos 2006, os modelos internos de dependência da Philip Morris consideraram fatores psicológicos, sociais e ambientais como comparáveis em importância à nicotina no uso de cigarros.

Elías e seus colegas argumentaram que este conhecimento sobre o papel da nicotina no hábito de fumar permitiu a Philip Morris redefinir sua política longe das intervenções sociais e ambientais e para a promoção de produtos "prejudiciais".

Os pesquisadores assinalaram em seu estudo que, devido à natureza fragmentada e incompleta do arquivo de documentos da indústria da tabacaria, é possível que se tenham perdido alguns documentos importantes.

No entanto, os autores enfatizaram que a redução da prevalência do tabagismo requer políticas que abordem todos os fatores que impulsionam a dependência ao cigarro, como, por exemplo, restrições de publicidade, empacotamento genérico, impostos sobre o tabaco e restrições generalizadas ao consumo de cigarros.

"É mais provável conseguir resultados de saúde positivos ao complementar a investigação e os conselhos de conduta com intervenções cada vez mais fortes em níveis da sociedade que abordem os componentes psicológicos, sociais e ambientais da dependência", salientaram os autores.

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