ipca
0,48 Set.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Relatório diz que 1 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso à eletricidade

02/05/2018 13h50

Paula Fernández

Lisboa, 2 mai (EFE).- Um bilhão de pessoas no mundo ainda não têm acesso à eletricidade e espera-se que 674 milhões não contem com ela em 2030, ano no qual 21% do consumo energético mundial procederá de energias renováveis, de acordo com as conclusões do Relatório sobre o Progresso Enérgetico elaborado pela Agência Internacional da Energia (AIE) e do Banco Mundial (BM), entre outras entidades, e apresentado nesta quarta-feira em Lisboa.

O relatório mostra que os números ainda estão longe de atingir o objetivo de desenvolvimento sustentado da ONU para 2030.

"Os últimos dados mostram claramente que necessitamos de mais ação e liderança política se quisermos cumprir com nossa promessa de não deixar ninguém para trás", afirmou a representante da ONU para energia sustentada, Rachel Kyte.

A ONU estabelece como meta para 2030 um acesso universal à eletricidade, mas "se as políticas atuais e as tendências da população continuarem", em 2030 ainda haverá 674 milhões de pessoas vivendo sem eletricidade, 8% da população mundial, alerta o relatório.

As zonas com maior déficit de acesso seguem sendo a África Subsaariana e o sul da Ásia, apesar dos progressos conquistados nos últimos anos em países como Bangladesh, Etiópia, Quênia e Tanzânia.

Entre 2010 e 2016, cerca de 40 países alcançaram acesso universal à eletricidade, entre eles Marrocos, Egito, Brasil, México, Chile, Argentina, Uruguai, Ucrânia, China, Iraque e Irã.

Ainda mais longe ficam os objetivos quanto às energias limpas para cozinhar, já que a ONU aspira alcançar o acesso universal em 2030 e o relatório estima que nesse ano só 73% da população poderá cozinhar com sistemas não poluentes.

"Se a trajetória atual continuar, 2,3 bilhões de pessoas continuarão usando sistemas tradicionais para cozinhar em 2030, perpetuando grande parte dos impactos negativos na saúde, no meio ambiente, no clima e no desenvolvimento", aponta o documento.

Atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas continuam cozinhando com sistemas poluentes, como a queima de madeira e carvão, que provocam quatro milhões de mortes prematuras anuais.

Em matéria de energias renováveis, os objetivos de desenvolvimento da ONU estabelecem o aumento "substancial" das fontes de energia limpa, que em 2030 cobrirão 21% do consumo energético total, frente aos 17,5% de 2015.

"Há uma necessidade urgente de atuar em todas as tecnologias, especialmente em energias renováveis e eficiência energética, que são chave para cumprir com três objetivos críticos: acesso à energia, diminuir a mudança climática e reduzir a poluição no ar", afirmou o diretor-executivo do AIE, Fatih Birol.

O setor da eletricidade, que representa 20% do consumo final de energia, registrou um "rápido progresso" na expansão das energias renováveis graças à queda dos custos da eólica e da solar, o que permitiu que as energias limpas alcançassem 22,8% do total em 2015.

Os 80% restantes procedem de setores com taxas muito baixas de energias renováveis, como os transportes, ou que se estagnaram, como os sistemas de calefação, e o relatório alerta que serão necessários "esforços muitos maiores" para aumentar a penetração das energias limpas nestes âmbitos.

Como soluções, sugere a implantação de sistemas centrais de energia baseada em biomassa, energia geotérmica ou solar, e o uso de veículos elétricos.

Em termos positivos, o relatório destaca o caso da China, que acumulou 30% do crescimento total em energias renováveis em 2015; do Reino Unido, cujo crescimento multiplicou por cinco a média global entre 2010 e 2015, e o Brasil, onde a porcentagem de energias renováveis sobre o total duplicou a média mundial.

Quanto à eficiência, o texto aponta melhorias no indicador de intensidade energética, que mede a energia necessária para produzir riqueza, e que reduziu a um ritmo de 2,2% desde 2010.

No entanto, ainda está longe das metas da ONU, já que o relatório estima que em 2030 se situe em 2,4%, inferior aos 2,6% que são recolhidos nos objetivos de desenvolvimento sustentado.

Newsletters

Receba dicas para investir e fazer o seu dinheiro render.

Quero receber

Mais Economia