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Mototáxis em Bangcoc, entre a crise política e as novas tecnologias

Noel Caballero.

Bangcoc, 7 mai (EFE).- Parados nas esquinas com o característico colete laranja, os mototaxistas de Bangcoc resistiram à profunda década de crise política que atingiu a Tailândia para agora serem ameaçados pelas novas tecnologias.

"Desde a introdução dos aplicativos (de transporte) no celular, sofremos com uma queda de clientes", lamentou à Agência Efe Nung na entrada de uma rua na capital aonde espera os viajantes, em referência a serviços como UberMoto e Grab Bike.

Os cerca de 130 mil motoristas deste serviço de transporte espalhados ao longo da enorme metrópole asiática são fundamentais para o desenvolvimento da economia tailandesa.

Procedentes de regiões rurais do país e bairros humildes da cidade, o "motosai" transporta 5,5 milhões pessoas por dia, e produz por ano entre 23 bilhões e 40 bilhões de bat (entre 600 milhões e 1 bilhão de euros), segundo números da Associação de Mototaxistas da Tailândia.

Com fama de temerários e malandros, os mototaxistas circulam em bom ritmo pelo denso tráfego de Bangcoc para levar diariamente muitas pessoas aos seus locais de trabalho.

"Durante a hora do rush, os serviços de transporte em massas estão abarrotados e os carros e ônibus não são uma opção pelos engarrafamentos. Então, o mototaxi é a maneira mais rápida e barata para um trajeto curto", afirmou à Agência Efe Nicha, usuária regular do serviço.

Um serviço que era controlado principalmente por máfias - muitas lideradas por policiais corruptos - até a chegada em 2001 do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, cujo governo se envolveu e conseguiu resolver parcialmente os problemas expostos pelos mototaxistas.

"Thaksin foi o único primeiro-ministro que nos escutou", declarou Chaloem Changtongmadun, presidente da Associação de Mototaxistas da Tailândia, durante um ato no Clube de Correspondentes em Bangcoc em meados de abril.

Por isso, grande parte destes motoristas é fiel a Thaksin apesar do golpe de Estado militar que o derrubou do poder em 2006 e que deu início à década de instabilidade política que perdura no país até hoje.

Após a queda de Thaksin, "as máfias retornaram" e com isso a extorsão e a reivindicação de subornos, relatou Chaloem.

Em março de 2010, os mototaxistas formaram um grande núcleo dos protestos a favor do ex-governante que tomaram parte do distrito financeiro e comercial de Bangcoc; e que terminou com uma intervenção militar que deixou mais de 90 mortos.

Um ano depois, um novo partido sob o guarda-chuva de Thaksin - autoexilado em Dubai desde 2008 para evitar uma condenação à prisão - e liderado por sua irmã mais nova, Yingluck, venceu de maneira folgada nas eleições.

No entanto, houve um novo levante do exército, ocorrido em maio de 2014, que tirou do poder os indicados de Thaksin e estabeleceu a junta militar que agora governa o país.

Em Nonthaburi, uma província ao norte de Bangcoc, o setor atual dos mototaxis é "100%" controlado por máfias, segundo o presidente da associação.

"Só pedimos o que consideramos merecido", como um fundo de bem-estar social, seguro de acidentes e cobertura para períodos de baixa nesta profissão "arriscada", enumerou o mototaxista.

Entre as propostas está a criação de um aplicativo de celular para os mototaxistas tradicionais que impulsione a adaptação tecnológica e ajude frente aos novos serviços.

As plataformas políticas ligadas aos Shinawatra ganharam todos os pleitos na Tailândia desde 2001 graças ao apoio da classe rural do nordeste e apesar da oposição de grande parte da classe média e das elites próximas à monarquia e ao exército.

O governo militar deve realizar eleições democráticas em fevereiro de 2019, embora a data para a votação tenha sido adiada previamente em várias ocasiões.

"Se ocorrer mais atrasos na realização das eleições, é possível que haja manifestações nas ruas", disse o presidente da associação de mototaxistas.

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