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Macri negocia com FMI acordo de "apoio" financeiro para atenuar alta do dólar

08/05/2018 15h03

Buenos Aires, 8 mai (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta terça-feira que iniciou conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber uma "linha de apoio financeiro" pela situação gerada no país diante da forte desvalorização do peso frente ao dólar em um difícil contexto global.

"Há alguns minutos falei com Christine Lagarde (diretora-gerente do FMI) e ela nos confirmou que vamos começar hoje mesmo a trabalhar em um acordo e isso permitirá fortalecer o programa de crescimento e desenvolvimento, dando-nos maior apoio para enfrentar este novo cenário global", disse o líder em mensagem gravada e difundida através dos canais oficiais da presidência.

"E evitar uma crise como as que tivemos em nossa história", acrescentou Macri.

Hoje, o dólar voltou a ser cotado em alta em relação ao peso, com uma desvalorização que chegou a 5,38% em relação ao fechamento de ontem e após vários dias de fortes quedas da moeda local - o câmbio começou o ano de 2018 em 18,65 pesos e hoje está em 23,40 - que não reagiu às medidas do governo para frear a desvalorização e provocaram forte incerteza no país.

Após ressaltar que tem o "compromisso" de dizer sempre "a verdade" e trabalhar para que "cada argentino possa viver melhor", Macri reiterou sua "convicção" de que o país está percorrendo "o único caminho possível para sair da estagnação, buscando sempre evitar uma grande crise econômica" que o faria o país "retroceder e prejudicaria a todos".

"Para isso, implementamos uma política econômica gradual que procura equilibrar o desastre que deixaram em nossas contas públicas (em referência ao governo de Cristina Kirchner) cuidando dos setores vulneráveis e, ao mesmo tempo, crescendo e gerando mais empregos e desenvolvimento", acrescentou Macri.

No entanto, nesse contexto, o chefe de Estado assinalou que "o problema" que a Argentina tem é ser "um dos países que mais depende de financiamento externo".

"Isso é fruto do enorme gasto público que herdamos e estamos ordenando", acrescentou o presidente, em referência à situação recebida do Executivo anterior.

Além disso, Macri reconheceu que, durante os dois primeiros anos de sua gestão, o país contou com um contexto mundial muito favorável, que hoje "está mudando".

"As condições mundiais estão a cada dia mais complexas por vários fatores: estão aumentando as taxas de juros, o preço do petróleo, as moedas de países emergentes estão cada vez mais desvalorizadas, entre outras variáveis que nós não controlamos", opinou Macri.

É, portanto, "diante desta nova situação", que Macri decidiu recorrer ao FMI, cuja diretora-gerente realizou em março passado uma visita oficial a Buenos Aires na qual se mostrou "impressionada" e "parabenizou" o governo pelas reformas empreendidas para reduzir o déficit fiscal.

Macri afirmou nesta terça-feira que sua decisão de negociar agora com o FMI foi tomada "pensando no melhor para todos os argentinos, e não mentindo para eles", em uma nova referência ao governo anterior.

"Digo a todos os argentinos, e especialmente a todos os dirigentes, que cumprindo com os compromissos e nos afastando da demagogia e da mentira, estou convencido que o caminho que tomamos vai conseguir um futuro melhor para todos", concluiu Macri.

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