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Arizona quer usar baterias para guardar energia e suprir demanda no verão

María León.

Tucson (EUA), 9 mai (EFE).- As zonas desérticas do Arizona, no sudoeste dos Estados Unidos, onde as temperaturas superam os 37ºC no verão, oferecem o cenário ideal para projetos renováveis, como o armazenamento de energia em baterias para ajudar no abastecimento durante as horas de pico de consumo.

A Arizona Public Service (APS), em parceria com a First Solar, está desenvolvendo a primeira rede de armazenamento de energia solar em baterias de íon de lítio no estado. A previsão é que o projeto comece a operar em 2021, com capacidade para 65 megawatts (MW).

Essa energia é suficiente para que a APS, uma empresa pública que opera em 11 dos 15 condados do Arizona, consiga atender 2,7 milhões de pessoas, especialmente em dias de verão. Entre 15h e 20h, os aparelhos de ar-condicionado não são desligados nesses locais.

"O primeiro passo é a construção dos painéis solares que alimentarão o projeto", disse à Agência Efe o diretor de recursos e planejamento da APS, Jeff Burke.

"A bateria terá um período de operação de três horas, sendo utilizada durante o período de maior demanda", explicou.

Atualmente, a APS cobre os horários de pico em cidades como Phoenix com o uso de usinas de gás natural, o sistema mais utilizado pelas companhias do país para gerar energia durante a faixa horária.

No entanto, várias empresas e especialistas veem a geração e o armazenamento de energia solar como o caminho a seguir, deixando para trás a queima de carvão ou gás natural. O mercado das baterias de íon de lítio está crescendo, reduzindo os custos de operação.

"As usinas geradoras de eletricidade e os investidores estão vendo grandes oportunidades na geração de energia solar e formas de armazená-la para ser utilizada quando a demanda aumenta", explicou o analista da consultora GTM, Daniel Finn-Foley, que aponta a progressiva queda dos preços das baterias como um fator-chave.

A tecnologia, porém, enfrenta desafios, como a necessidade de mais incentivos financeiros e isenções fiscais que permitam diminuir o impacto do investimento inicial. Propostas já estão nas mãos dos órgãos reguladores federais e estaduais, que já dão passos para avançar nesse sentido.

Os investidores e companhias do setor trabalham agora para desenvolver baterias com mais capacidade de armazenamento. As companhias de energia ainda teriam que topar pagar um preço mais alto por um sistema que consegue diminuir os problemas de intermitência dos painéis solares, como consequência dos dias nublados e das noites.

Especialistas como Judy Chang, diretora do The Brattle Group e coautora de um estudo sobre o futuro do armazenamento da energia solar nos EUA, disseram à Efe que a indústria tem potencial de crescimento de até 50.000 MW nas próximas décadas.

"Tudo isso dependerá especialmente de que o custo das baterias continue diminuindo e de regulações estatais como as recentemente decretadas pela Comissão Reguladora de Energia, que eliminaram algumas das barreiras que restringiam o avanço da tecnologia", avaliou Chang.

Estados como Havaí, Califórnia, Nova York, Massachusetts, Nevada e o próprio Arizona lideram o desenvolvimento de armazenamento de energia solar em baterias nos EUA.

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