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Argentina admite que alta do dólar trará menos crescimento e mais inflação

14/05/2018 20h45

Buenos Aires, 14 mai (EFE).- O governo da Argentina reconheceu nesta segunda-feira que a forte desvalorização do peso em relação ao dólar e a alta dos juros causarão menor crescimento econômico e mais inflação, embora tenha defendido sua política para preservar o país de "uma crise" e descartado que haja "tensão social".

"É preciso passar a tranquilidade de que a Argentina incorporou neste governo e no programa econômico todas as aprendizagens que tivemos das crises do passado", ressaltou o chefe do gabinete de ministros do Executivo de Mauricio Macri, Marcos Peña, em um encontro em Buenos Aires com meios de comunicação internacionais, entre eles a Agência Efe.

O encontro, do qual também participaram o ministro de Fazenda, Nicolás Dujovne; e o de Finanças, Luis Caputo, acontece em um momento de grande incerteza pela desvalorização da moeda nacional (que desde janeiro caiu mais de 35% frente ao dólar) e pela constante inflação - no primeiro trimestre os preços subiram 6,7%.

"Sabemos que neste período onde as taxas (de juro) subiram e onde a taxa de câmbio tem se movido, vamos ter um pouco menos de crescimento e um pouco mais de inflação. Isso é óbvio que vai ocorrer, mas sempre sabendo que estamos tomando a melhor alternativa, que é a que preserve a Argentina de ter uma crise", destacou Dujovne.

Neste sentido, o titular de Fazenda defendeu que "o mais importante para defender o crescimento econômico" é não ter uma "crise macroeconômica".

"A Argentina durante muitos períodos da sua história enfrentou a crise com um câmbio fixo e isso agravou a situação", considerou, convencido das virtudes do câmbio flutuante, com pontuais intervenções do Banco Central para controlar a volatilidade - hoje a instituição voltou a vender US$ 408 milhões para conter a alta do dólar -, o que "deixa muito mais lento o processo de diminuir a inflação", mas "protege melhor dos choques".

Consultado sobre se esse cenário pode agravar o protesto social, Peña foi taxativo. "A economia real segue operando de forma saudável (com sete trimestres de crescimento) e isso se vê na rua", declarou, para acrescentar que "hoje não há um clima de tensão social".

"Há um país que segue funcionando, segue consumindo, investindo, avançando e um amplíssimo consenso social e político", completou.

Em sua opinião, não há um "risco de uma deterioração da condição social" e o governo seguirá trabalhando "com todos esses mecanismos de diálogo e institucionalidade" para superar "esta situação que até hoje se restringe centralmente a uma situação do mercado cambial".

Embora diversos setores tenham qualificado o atual momento como o pior de Macri como presidente, Peña reiterou que, no âmbito político, os primeiros meses de governo, após os mandatos de Cristina Kirchner (2007-2015), "foram muito desafiadores, mais que o momento atual".

"Um governo novo que não tinha ferramentas econômicas porque havia que construi-las, (...) com uma economia muito parada por muitos anos", frisou.

Como consequência da desvalorização - derivada principalmente pela forte alta dos juros nos Estados Unidos -, o governo iniciou conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos para obter créditos que ajudem a compensar as consequências da crise cambial.

"Todas as variáveis estão em níveis atrativos, normais e com bons fundamentos econômicos. O mercado está medindo a conjuntura da taxa de câmbio", disse Caputo.

"Se você vê o movimento da nossa moeda a respeito do que foi o movimento das outras moedas da região nos últimos quatro meses, e se olha histórico dos últimos 24 meses (...), estamos com uma taxa de câmbio razoável", concluiu o ministro sobre os 25,30 pesos que um dólar estava custando hoje na Argentina.

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