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Argentina defende negociação com FMI em reunião com empresários brasileiros

01/06/2018 14h20

Buenos Aires, 1 jun (EFE).- A vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, defendeu nesta sexta-feira em um encontro com empresários locais e brasileiros em Buenos Aires a negociação que o governo de Mauricio Macri mantém com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para conseguir ajuda financeira.

"Para continuar com nossa política econômica, decidimos começar a dialogar com o FMI para estabelecer um acordo de financiamento preventivo", disse Michetti ao inaugurar o segundo Seminário Internacional de Líderes Argentina-Brasil, que reúne empresários de ambos os países.

Após as fortes turbulências financeiras registradas no início de maio, com uma brusca desvalorização do peso argentino, o governo Macri solicitou ao FMI abrir negociações para ter acesso à ajuda financeira.

O FMI evitou comentar por enquanto o montante do programa de resgate, que analistas situaram em torno de US$ 30 bilhões.

A vice-presidente afirmou que o governo é "consciente de que está em um mundo de incertezas e que, diante de uma situação de instabilidade cambial, como a vivida há muito pouco tempo", é preciso tomar "medidas de proteção" que, "em outro momento", não seriam tomadas.

Michetti argumentou que "recorrer a um credor que faz empréstimos com taxas de juros melhores oferece ferramentas para enfrentar uma situação deste tipo" e argumentou que a Argentina está hoje com um "sistema muito dependente" de financiamento, já que não tem "nenhuma possibilidade" de aumentar impostos e imprimir dinheiro.

Por outro lado, a vice-presidente indicou que é preciso fazer um "esforço" para alcançar o equilíbrio fiscal, pois "não se pode gastar mais do que se arrecada".

Michetti assinalou que as medidas implementadas desde a chegada de Macri à Casa Rosada, no fim de 2015, "estão dando certo", com sete trimestres consecutivos de crescimento econômico e um aumento do PIB de 2,9% em 2017.

Além disso, a vice-presidente argentina destacou que o investimento estrangeiro direto alcançou US$ 11,858 bilhões em 2017, "seu valor máximo em cinco anos".

Pedro Villagra Delgado, representante do governo argentino na preparação da Cúpula do G20, ressaltou a importância de coordenar posições com Brasil e México dentro do fórum das 20 maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do planeta e levar para o mesmo "a voz do sul do mundo".

"Não teremos a presidência (do G20) mais fácil do mundo. O mundo está passando por uma situação de desequilíbrio, de mudanças, de reestruturações", indicou o representante argentino.

O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Sergio Danese, por sua vez, transmitiu "uma mensagem de confiança" sobre o futuro da Argentina, apesar da "conjuntura muito complexa" que o país vive.

"A mensagem tem que ser de confirmação da confiança em múltiplos aspectos: ratificar a confiança na Argentina, nas políticas que continuam sendo implementadas e nas medidas de correção de rumo", afirmou Danese.

Além de executivos de empresas dos dois países e de representantes de câmaras empresariais, no fórum também participou, entre outros, Inés Weinberg de Roca, presidente do Tribunal de Justiça da cidade de Buenos Aires e candidata a procuradora-geral da Argentina.

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