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UE evita falar de guerra comercial, mas critica "jogo perigoso" dos EUA

Laura Zornoza.

Bruxelas, 1 jun (EFE).- A União Europeia (UE) evita, por enquanto, usar o termo "guerra comercial" para definir as relações com Washington após a entrada em vigor das tarifas sobre o aço e o alumínio, mas a comissária de Comércio europeia já advertiu nesta sexta-feira que os Estados Unidos estão "jogando um jogo perigoso" com suas medidas.

"Não estamos em uma guerra comercial, mas sim em uma situação muito complicada causada pelos EUA e estas tarifas (...) É uma situação muito preocupante, não usaria o termo guerra comercial porque tem um efeito psicológico e não chegámos a esse ponto", disse hoje Cecilia Malmström, titular comunitária de Comércio, em entrevista coletiva.

A comissária sueca alertou que "os Estados Unidos estão jogando um jogo perigoso", que poderia pôr em risco a recuperação europeia após a crise financeira e impor riscos a "empregos, investimentos, e crescimentos".

Trata-se da primeira reação da mulher que liderou a equipe europeia nas negociações com os Estados Unidos para buscar uma isenção, depois que hoje entraram em vigor tarifas de 25% ao aço e de 10% ao alumínio da UE, do México e do Canadá.

Em entrevista coletiva, Malmström reforçou hoje a posição que Bruxelas manteve desde março, que tacha a decisão de "puro protecionismo" e "muito infeliz".

"Não queremos piorar a situação, mas precisamos responder e faremos isso de maneira medida. Não responder seria o mesmo que aceitar estas tarifas, que consideramos ilegais e contra a Organização Mundial do Comércio (OMC)", indicou.

É precisamente nesta organização que o bloco europeu planeja a primeira represália por essas restrições, em forma de um procedimento de solução de controvérsias iniciado hoje que deverá determinar se a decisão dos Estados Unidos está em linha com suas normas.

A UE iniciará também as chamadas "medidas de reequilíbrio" para impor a uma série de produtos americanos os mesmos níveis de tarifas com os quais Washington restringe as importações europeias.

Sob as normas da OMC, a UE tem neste momento a possibilidade de impor estas medidas por um valor equivalente a 2,8 bilhões de euros, algo que poderá fazer a partir do próximo dia 20 de junho, quando se completam 30 dias da notificação à OMC desta lista.

Fontes comunitárias expressaram hoje seu convencimento de que os países da UE compreendem a importância de manter-se unidos neste assunto e esperam que as tarifas desta lista possam ser aplicadas "em questão de poucas semanas".

A UE também conta com uma segunda lista no valor de 3,6 bilhões de euros que só poderá ser aplicada quando a OMC determinar que as medidas impostas pelos Estados Unidos são ilegais ou uma vez que tenham passado três anos desde a data de implementação das mesmas.

Além disso, Bruxelas vigia os fluxos comerciais de aço e alumínio para detectar um potencial aumento repentino nas entradas destes produtos à UE, devido ao fechamento parcial do mercado americano.

A Comissão Europeia já havia aberto no dia 26 de março uma investigação sobre estes desvios no caso do aço e tem nove meses para decidir se adota medidas de salvaguarda para proteger à indústria europeia, embora possa fazê-lo antes se considerar necessário.

No caso do alumínio, fontes comunitárias confirmaram que "não há intenção de iniciar essa investigação".

Após a avalanche de reações críticas com a decisão do governo americano, incluindo a de vários líderes republicanos dos EUA, ficam no ar os passos a seguir nesta disputa comercial, que poderia se complicar se Washington tomasse medidas restritivas também para o mercado automobilístico.

Permanecerá fechada, por enquanto, a porta a maiores contatos nas relações comerciais transatlânticas com um potencial aumento no acesso aos mercados de cada bloco, uma possibilidade que a UE oferecia aos EUA sob a condição de ficar isenta permanentemente das tarifas.

"A nossa oferta era que nos tirassem a arma da cabeça, nos sentássemos como amigos e como iguais, debateríamos e eventualmente isto poderia levar a negociações (...). Mas nunca chegamos a este ponto. Não vamos entrar em nenhuma negociação", concluiu Malmström.

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