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BM alerta para desaceleração global por protecionismo e alta dos juros

Alfonso Fernández

Washington, 5 jun (EFE).- O Banco Mundial (BM) prevê uma desaceleração do crescimento global, de 3,1% em 2018 para 3% em 2019, diante dos crescentes riscos de tensões financeiras, da escalada do protecionismo comercial e do aumento dos taxas de juros, segundo o relatório semestral de perspectivas divulgado nesta terça-feira.

"O comércio global tem suavizado, mas continua robusto, embora com riscos para queda. A possibilidade de tensões no mercado financeiro, a escalada de protecionismo comercial e as reforçadas tensões políticas continuam obscurecendo o panorama", aponta o estudo.

O BM previu que as economias avançadas se expandirão 2,2% em 2018 e 2% em 2019 (com EUA registrando 2,7% e 2,5% e a zona euro 2,1% e 1,7%), à medida que os bancos centrais eliminam gradualmente os estímulos monetários.

O relatório intitulado "Uma mudança de maré?" ressaltou que "o desenlace de algumas negociações comerciais continua sendo incerto, e o risco de uma escalada nas restrições comerciais se intensificou, uma vez que os novos anúncios de tarifas dos EUA geraram represálias de alguns dos seus principais sócios comerciais".

Enquanto isso, nas economias emergentes essas porcentagens serão de 4,5% e 4,7%, respectivamente, devido à "maturação da recuperação dos países exportadores de produtos básicos, e os preços de tais produtos se estabilizarão após o aumento deste ano".

Na China, a grande locomotiva mundial durante a última crise, o crescimento se desacelerará de 6,5% em 2018 para 6,3% em 2019, já que será atenuado o apoio normativo e as políticas fiscais se tornarão menos flexíveis.

"Os responsáveis por elaborar políticas nos mercados emergentes e as economias em desenvolvimento devem estar preparados para fazer frente a possíveis episódios de volatilidade nos mercados financeiros à medida que se intensifica a normalização das políticas monetárias das economias avançadas", disse Ayhan Kose, diretor das Perspetivas de Desenvolvimento do BM.

Os mercados estão particularmente atentos a uma possível aceleração da alta dos taxas de juros nos EUA, onde o Federal Reserve (Fed, banco central americano) prevê pelo menos dois ajustes monetários no restante do ano, da categoria atual de 1,5% e 1,75%, com importantes repercussões nos mercados emergentes.

Em conferência telefônica para apresentar o relatório, Kose indicou que "o aumento nos níveis de endividamento volta aos países mais vulneráveis a esta alta nas taxas de juros" o que "aumenta a importância de voltar a estabelecer mecanismos de amortização frente às crises financeiras".

A América Latina manterá sua "modesta recuperação" até registar uma expansão de 1,7% em 2018 e 2,3% em 2019, impulsionada pelo investimento e o consumo privado, e a melhoria das perspectivas no Brasil (2,4% e 2,5%, respectivamente) e no México (2,3% e 2,5%).

Caso especial é o da Argentina, cuja economia freará após a crise do peso que levou as autoridades a elevarem de maneira abrupta as taxas de juros e solicitarem um programa de assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como consequência, o BM rebaixou as previsões da Argentina para 1,7% neste ano, devido à restrição monetária e fiscal e aos efeitos da seca, e 1,8% em 2019, frente aos 3% anuais para ambos os anos previstos seis meses atrás.

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