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BM aconselha ajuste fiscal gradual na A.Latina que proteja os vulneráveis

Madri, 6 jun (EFE).- O Banco Mundial (BM) aconselha um ajuste fiscal gradual para a América Latina e o Caribe, que preserve as melhorias sociais e proteja os mais vulneráveis, afirmou nesta quarta-feira o seu economista-chefe para a região, o uruguaio Carlos Végh.

"É preciso fazer o impossível por preservar as conquistas sociais e proteger os setores mais vulneráveis", afirmou Végh em entrevista à Agência Efe, na qual reconheceu "o imenso progresso" ocorrido na região de 2002 até 2015, com a redução da pobreza pela metade e uma queda "substancial" da desigualdade.

Além disso, Végh insistiu que também não é conveniente fazer o ajuste através da redução do investimento público, já que, em sua opinião, "a região necessitaria triplicá-lo, especialmente em infraestrutura", porque um déficit em infraestrutura atrapalha o desenvolvimento econômico.

Segundo o último relatório semestral do BM para a América Latina e o Caribe, 31 dos 32 países da região registraram um déficit fiscal em 2017, uma conjuntura que contribui para os altos níveis de endividamento nessas nações.

"Os países da região são conscientes de que há um problema de déficit fiscal e de alto endividamento" e também que "é preciso aproveitar uma época de recuperação" para fazer os ajustes necessários, declarou o diretor do BM, que chegou ao cargo em fevereiro de 2017.

Segundo as últimas projeções do Banco Mundial, a economia latino-americana crescerá 1,8% este ano e 2,3% em 2019.

Por outro lado, a dívida conjunta da região alcançou 60% do PIB no último ano, o que, segundo Végh, afeta o acesso ao crédito internacional e o preço a ser pago pelo dinheiro emprestado.

Végh, que é especialista em estabilização econômica e inflação, advertiu que o ajuste fiscal não deve ser feito, como no passado, recorrendo à inflação, como uma maneira "fácil" de ajustar os salários reais.

"Isso mudou e agora estamos em um entorno de inflação baixa, com uma média de 3,5% (excluindo a Venezuela), frente aos 200% de média dos anos 1980", advertiu o economista.

Sobre a dívida da Argentina, que no mês passado solicitou um novo empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para enfrentar a desvalorização do peso, o diretor do BM considera que o governo Macri "tem plena consciência" da necessidade de "acelerar um pouco o ajuste".

Precisamente ontem, o BM rebaixou o crescimento estimado na Argentina para 1,7% este ano, contra os 3% previstos há seis meses, devido à restrição monetária e fiscal, após a crise do peso e o pedido de assistência financeira ao FMI.

Com relação à possibilidade de as recomendações do BM serem aceitas pelos governos da América Latina, Végh insistiu que os funcionários da instituição não podem opinar sobre questões políticas, mas assinalou que considera que o déficit fiscal "não como um problema de ideologia, mas de aritmética".

Ao ser perguntado sobre a repercussão que o nível de informalidade na economia da região pode ter sobre o déficit fiscal, Végh frisou que acredita que são duas questões separadas, mas que "combater a informalidade traz benefícios indiretos à questão fiscal".

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