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FMI acerta empréstimo de US$ 50 bilhões para a Argentina

07/06/2018 21h23

Buenos Aires/Washington, 7 jun (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a um acordo com o governo da Argentina nesta quarta-feira, após semanas de negociações, e emprestará US$ 50 bilhões ao país, em troca de que o governo de Mauricio Macri reduza o déficit primário e as taxas de inflação.

O anúncio foi feito pelo próprio FMI, em comunicado, e pelo ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, que concedeu entrevista coletiva em Buenos Aires ao lado do presidente do Banco Central do país, Federico Sturzenegger.

A Argentina começou a discutir o empréstimo em maio do ano passado após uma crise cambial que agitou a economia e gerou preocupação na população, que já sofre com a desvalorização do peso provocada pelas altas taxas de inflação no país.

"Estamos muito contentes porque (o empréstimo) vai nos permitir continuar seguindo o caminho rumo ao equilíbrio fiscal e finalmente resolver esse problema que a Argentina enfrenta há 70 anos, com breves interrupções, nos quais gastou mais que ganhou", disse Dujovne ao anunciar o acordo com o FMI.

Seguindo as condições gerais de acordos 'stand by', o tipo de pacto firmado entre as partes, a Argentina terá que pagar o valor em oito parcelas trimestrais, com 36 meses de carência.

A taxa de juros é variável e dependerá da evolução do direito especial de saque (DES).

Em comunicado, o governo da Argentina afirmou que estima que o custo do empréstimo será de 1,96% enquanto os repasses acumulados não superem 187,5% da cota do país no FMI - US$ 8,48 bilhões. Os juros passam para 3,96% se os valores ultrapassarem a cota e para 4,96% se ficarem nesse patamar por mais de três anos.

Segundo o governo de Macri, o acordo é "consistente" e tem respaldo econômico, social e político. O objetivo é "continuar restabelecendo a ordem macroeconômica" com dois eixos-chave: o equilíbrio fiscal e a redução da inflação.

Após o acordo, a Argentina terá que cumprir uma meta de déficit fiscal de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, contra os 3,2% inicialmente previstos, e de 1,3% no ano seguinte.

O ajuste significará, entre 2018 e 2021, uma redução acumulada do déficit de US$ 19,3 bilhões, de acordo com o governo.

As novas metas para a inflação também foram divulgadas: 17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.

Segundo Dujovne, para a controlar a inflação de forma sustentável será preciso "fortalecer a situação patrimonial do Banco Central".

"O programa é inovador já que protege especialmente os setores mais vulneráveis. Com efeito, inclui-se explicitamente o acompanhamento de indicadores sociais e, pela primeira vez na história de um acordo com o FMI, uma salvaguarda permite aumentar a despesa social se o governo Argentino considerar necessário", ressaltou o ministro durante a entrevista.

No comunicado divulgado pelo FMI, a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, apoiou as medidas tomadas pelo governo da Argentina para conter a inflação.

"Aprovamos a decisão do Banco Central da Argentina de adotar metas de inflação realistas e significativas, assim como o compromisso de manter o câmbio flexível e determinado pelo mercado", disse Lagarde na nota.

Ainda sobre o Banco Central, a diretora-gerente do FMI defendeu a importância de garantir que a instituição tenha "independência jurídica e autonomia operacional", colocando fim imediatamente ao "financiamento do déficit federal".

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