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Ministro nega acusações de propina em escândalo de frigorífico paraguaio

Assunção, 9 jun (EFE).- OO ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, negou neste sábado as acusações de que teria recebido pagamento de propina para habilitar as operações do Frigorífico Concepción, uma empresa envolvida no escândalo de carne importada do Brasil sem as licenças pertinentes.

O caso se transformou nesta semana no "escândalo das propinas", depois que o pecuarista Carlos Trapani revelou que Leite e o ministro de Agricultura e Pecuária, Luis Gneiting, estariam envolvidos em um pedido de suborno a esse frigorífico que chegaria a US$ 500 mil.

Leite se deparou com essas informações em Taiwan, onde hoje declarou à agência estatal paraguaia "IP" que jamais recebeu ou pediu dinheiro em troca de alguma gestão no tema do Frigorífico Concepción.

"Sempre trabalhei em linha direta com meus superiores. Nunca foi minha responsabilidade suspender ou reativar a atividade do frigorífico", garantiu o ministro, que acrescentou que se colocará à disposição do Ministério Público assim que retornar ao Paraguai.

Leite fez essas declarações no dia em que Hugo Ydoyaga, destituído por causa do escândalo como titular do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal, ratificou a versão de Trapani de que existiu um pedido de propina ao dono do Frigorífico Concepción, o brasileiro Jair de Lima.

Em entrevista ao canal "Telefuturo", Ydoyaga disse que o próprio Jair de Lima lhe confirmou que houve um pedido de propina como parte de um "acerto" com as autoridades.

Ydoyaga acrescentou que não tem provas para demonstrar que houve pagamento de propina e se limitou a contar o que ouviu de Jair de Lima.

O dono do Frigorífico Concepción deu ontem uma entrevista coletiva na qual negou ter realizado o pagamento de propina para normalizar a situação de sua empresa.

Assim, o empresário brasileiro contradisse Trapani, que revelou o caso dos supostos pagamentos de propina e que reiterou que soube dessas informações através terceiros e as transmitiu ao presidente paraguaio, Horacio Cartes.

De acordo com Trapani, a propina seria para que fosse dada permissão ao Frigorífico Concepción para exportar carne aos mercados de Rússia, Taiwan, Chile, Israel e União Europeia, destinos que foram fechados temporariamente pelas autoridades paraguaias após o escândalo da carne importada do Brasil.

Além disso, Taiwan e Rússia suspenderam as compras do frigorífico.

Fontes do setor de carne não descartam que a carne brasileira tenha sido exportada como produto paraguaio para a Rússia, o principal destino da carne do país sul-americano junto com o Chile.

A companhia foi multada no início do mês com o pagamento de US$ 2,89 milhões por essa importação de carne do Brasil sem as licenças pertinentes.

O caso provocou a destituição de Ydoyaga, além da do ministro de Agricultura e Pecuária Marcos Medina, que foi substituído por Gneiting, e a do chefe do Departamento Alfandegário, Nelson Valiente.

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