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Ahmadinejad: "EUA violam leis internacionais com o controle do dólar"

16/07/2018 07h45

Madri, 16 jul (EFE).- O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad denunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos "violam, há décadas, todas as leis internacionais", "atuam unilateralmente no mundo em nível político e de segurança" e impõem sanções e situações econômicas injustas na comunidade internacional "utilizando o controle da circulação do dólar".

Em declarações à Agência Efe, Ahmadinejad afirmou que os EUA "transferem os seus problemas econômicos às outras nações". Segundo o ex-governante, "de modo sistemático, (o governo americano) saqueia a riqueza dos países e transfere seu forte déficit fiscal, assim como o déficit de sua balança no comércio exterior a outras economias do mundo".

Ahmadinejad argumentou que depois da Segunda Guerra Mundial, em virtude dos acordos de Bretton Woods (1944), "os EUA deveriam manter o preço do ouro em US$ 35 a onça, reconhecendo-se essa moeda como uma interface para o comércio mundial".

"No entanto, entre os anos de 1970 e 1973, o governo dos EUA, se aproveitando das debilidades dos outros governos e da falta de um sério rival econômico e político, pisou de modo unilateral sobre esse compromisso", afirmou.

Como consequência, "o valor do dólar a respeito do da onça de ouro caiu 40 vezes e, na mesma proporção, diminuiu o valor real dos ativos e a capacidade de compra das nações que mantêm suas reservas nessa divisa".

"O Departamento do Tesouro dos EUA injetou na economia mundial, ao preço atual, mais de US$ 21 trilhões de excedente e sem apoio de ouro, o que significa que sem realizar uma atividade econômica positiva ou pagar dinheiro real para a troca da mercadoria, tem se apropriado por esse montante de serviços e mercadorias gratuitas de outras nações", opinou.

"O governo dos EUA, ao preço atual e levando em conta a população do mundo e desse país, saca do bolso de cada cidadão da comunidade internacional uma média de US$ 3 mil, enquanto cada cidadão americano se beneficia de US$ 70 mil", acrescentou.

Ahmadinejad questionou o que aconteceria "se as pessoas de qualquer outro país ficassem com essa mesma quantia de recursos do bolso dos demais": "Como seria o nível de vida delas? Haveria tanta diferença entre países?".

O ex-presidente do Irã disse acreditar que só "desfazendo-se do domínio do dólar e do sistema bancário baseado no dólar" a comunidade internacional poderá avançar no fim do unilateralismo americano, o que seria também um passo "a favor dos direitos fundamentais dos humanos".