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Cidade cazaque "no meio do nada" vira ponto chave da Nova Rota da Seda

10/08/2018 14h09

Bernardo Suárez Indart.

Aktau (Cazaquistão), 10 ago (EFE).- Aktau, uma cidade surgida há pouco mais de meio século no litoral do mar Cáspio praticamente no meio do nada, em uma região desértica tanto ou mais árida que o Saara, se transformou em um elemento fundamental da Nova Rota da Seda, o grande projeto chinês no qual o Cazaquistão também está envolvido.

Fundada nos anos 60, em tempos soviéticos, como cidade industrial para a exploração de jazidas de urânio, Aktau é hoje um centro de atividade petrolífera, e até muito pouco tempo atrás o único porto do Cazaquistão.

A rota através do Cáspio permite ao Cazaquistão se transformar em país de quebra de um corredor de transporte entre a Ásia e a Europa sem passar pelo território da Rússia.

Não em vão, Aktau e as novas instalações portuárias de Kuryk servirão de passagem para os carregamentos militares americanos com destino ao Afeganistão.

Com cerca de 190 mil habitantes, a cidade é uma das demonstrações da capacidade dos seres humanos de suportar as inclemências climáticas: no verão as temperaturas superam amplamente os 40 graus.

Embora as temperaturas não sejam extremamente baixas no inverno graças ao mar, o clima marcado pela umidade e o vento em direção ao interior da província de Mangystau, da qual Aktau é capital, faz com que estas caiam até os 40 graus abaixo zero.

"Um deserto sem nenhum tipo de vegetação: unicamente areia e pedras. Quando você olha ao redor sente uma desolação tal que dá vontade de se enforcar", escreveu em 1850 o grande poeta ucraniano Taras Shevchenko, que foi confinado pelos czares russos em um posto militar nesta região.

Em homenagem a Taras, as autoridades soviéticas batizaram com seu sobrenome a cidade, que adquiriu seu atual nome (Aktau em cazaque significa "montanha branca") depois da independência do Cazaquistão, em dezembro de 1991.

Nem em Aktau, nem em centenas de quilômetros em seu torno há fontes de água doce, por isso o abastecimento da cidade recai totalmente em suas estações que dessalinizam a água do mar Cáspio.

"Em casa temos duas qualidades de água, uma potável, e a outra chamada de uso técnico, que utilizamos para lavar e outras necessidades", diz à Agência Efe Oidoz, de 35 anos, marujo de um rebocador do porto.

Esta não é a única peculiaridade de Aktau: as ruas da cidade não têm nome, que servem para separar unidades urbanísticas denominadas microdistritos, todos eles numerados.

A inscrição "5a.13.23", que mais uma mensagem cifrada, é apenas um simples endereço que se lê da seguinte forma: microdistrito 5a, edifício 13, apartamento 23.

Para os moradores de Aktau não há forma mais singela de indicar um endereço.

"Parece complicado, mas é muito fácil. Quando viajo para outras cidades me perco com tantos nomes de ruas", diz à Efe Almaz, jovem atendente de uma loja de eletrodomésticos.

Nos últimos anos, Aktau procura desenvolver seu incipiente potencial turístico com a construção de novos hotéis, assim como do passeio marítimo, que se transformou no local predileto de seus habitantes.

"No ano passado recebemos mais de 200 mil turistas, quase 30 mil deles estrangeiros", disse à Efe o chefe do departamento de Turismo da província de Mangystau, Urken Bissakayev, que acrescentou que não é pouco para uma região petrolífera.

Nesse sentido, Bissakayev destacou que Aktau foi projetada como cidade industrial, inicialmente para a exploração de jazidas de urânio, por isso não foi incluído o "componente turístico".

"Mesmo assim, o setor cresce de maneira sustetada", indicou Bissakayev, que ressaltou o crescente interesse pelo turismo etnoecológico.

Mangystau, explicou, abriga mais de 13 mil monumentos da cultura cazaque, mais da metade dos que existem no país, entre eles 362 santuários sufis, como a necrópole de Beket Ata, que no ano passado foi visitada por mais de 52 mil peregrinos.

"As paisagens da província, chamada de 'terra desnuda de carne até os ossos', são um atrativo para os visitantes", disse o chefe do departamento de Turismo.

De fato, o Cazaquistão solicitou à Unesco que inclua os desertos de Mangystau na sua lista de geoparques mundiais.

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