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Países de média e baixa renda precisam avançar no controle do tabaco, diz OMS

01/10/2018 17h59

Isabel Saco.

Genebra, 1 out (EFE).- O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta segunda-feira que, apesar dos sucessos em nível mundial no controle do tabaco, ainda é preciso fazer muito nos países de média e baixa renda.

"Devemos nos manter atentos em relação à indústria do tabaco e suas táticas", disse o diretor-geral da OMS na inauguração da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, que acontece até sábado em Genebra.

Participam desta reunião representantes de 181 países, que juntos tomaram medidas para que 60% da população mundial esteja coberta por uma ou mais das seis estratégias contra o tabaco definidas pela Convenção. Em paralelo à conferência, a indústria do tabaco organizou eventos para promover o cigarro e o charuto eletrônicos como possíveis alternativas menos prejudiciais para a saúde.

O Secretariado da Convenção, que está vinculado à OMS, avaliou que a ruptura de laços com a indústria do tabaco deve ser total. Como exemplo, o diretor da OMS citou o cancelamento recente de um discurso que faria quando soube que o evento era patrocinado por uma empresa do setor.

"É preciso que os países se esforcem mais para aumentar os impostos sobre o tabaco e aproveitem plenamente os benefícios desta medida, tanto em termos de vidas salvas quanto de geração de renda para a saúde", disse Tedros.

A reunião desta semana tem entre seus principais objetivos fazer com que os países entendam a importância de elevar os impostos sobre o tabaco e proibir completamente a publicidade desse tipo de produto. Além disso, o encontro busca resolver os vazios legais da Convenção que permitiram que a indústria tivesse alguma influência sobre as discussões dos últimos anos.

Para isso, serão propostas medidas para impedir definitivamente que qualquer um que tenha vínculos com a indústria possa participar das reuniões, conforme antecipou a chefe do Secretariado da Convenção, a brasileira Vera Luiza da Costa e Silva.

No entanto, as grandes empresas não escondem o descontentamento com os reforços para as restrições e convocaram acadêmicos e cientistas que defendem a substituição do cigarro tradicional pelos sistemas modernos de administração de nicotina.

Representantes da indústria disseram que a questão central dos próximos dias será saber se "a OMS manterá sua hostilidade ao cigarro eletrônico", já que a organização está pedindo que os países considerem proibir esse dispositivo e sigam o exemplo dos 39 governos que já fizeram isso.

Hoje, Vera Luiza foi muito clara com as delegações governamentais e alertou que "não momento para ser complacente".

"Com seus orçamentos astronômicos, a indústria continua seus frenéticos esforços para enfraquecer a implantação de nosso tratado", disse ela.

O crescimento dos sistemas eletrônicos para a administração de nicotina no mercado foi muito grande nos últimos anos, com vendas que passaram de US$ 2,76 bilhões em 2014 para US$ 8,61 bilhões em 2016 em todo mundo. Para 2023, a projeção é de US$ 26,84 bilhões.

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