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Nissan confirma destituição de Carlos Ghosn como presidente da companhia

22/11/2018 12h27

Tóquio, 22 nov (EFE).- A Nissan Motor confirmou nesta quinta-feira que destituiu como presidente da companhia o franco-brasileiro Carlos Ghosn por causa da investigação interna na companhia devido a uma série de irregularidades financeiras que o alto executivo teria supostamente realizado nos últimos anos.

A confirmação figura em uma notificação enviada à Bolsa de Tóquio ao término de uma reunião de quatro horas do Conselho de Administração da Nissan Motor, na qual foi tomada a decisão, três dias depois da detenção de Ghosn em Tóquio.

A nota do Conselho de Administração explica em termos gerais as três irregularidades das quais Ghosn é acusado, que já foram divulgadas pela empresa quando ele foi detido, e também informa sobre a destituição como conselheiro de Greg Kelly, que supostamente participou desses atos.

O comunicado enviado à Bolsa também anuncia que os direitos de representação de Ghosn no Conselho de Administração foram anulados e que ele também foi destituído como presidente desse órgão a partir da "investigação interna" que descobriu uma série de irregularidades.

Entre elas, o Conselho de Administração cita o fato de que, em notificações ao órgão regulador da Bolsa, Ghosn declarou uma renda menor que a recebida, sem detalhar números e datas, algo que supostamente aconteceu durante "muitos anos".

Além disso, a nota do Conselho o acusa de usar em benefício próprio capitais de investimento da companhia "sob falsos pretextos" e, além disso, de utilizar fundos da Nissan Motor para cobrir despesas pessoais.

De acordo com informações que foram vazadas para a imprensa, Ghosn supostamente utilizou fundos da Nissan para comprar dois imóveis de luxo no Brasil e no Líbano, não declarou aos reguladores da Bolsa uma renda avaliada em 5 bilhões de ienes (38 milhões de euros) e utilizou centenas de milhares de dólares para custear suas férias familiares.

O comunicado à Bolsa de Tóquio classifica Ghosn e Kelly como os "organizadores" dessas supostas manobras irregulares.

"A companhia averiguará ainda mais esse tema e considerará as medidas que serão adotadas para melhorar a governança da companhia", diz o texto do Conselho de Administração.

Junto disso, um comunicado oficial de Nissan Motor detalha os mesmos pontos e esclarece que as decisões foram tomadas de forma unânime pelo Conselho de Administração da companhia, que se reuniu na cidade de Yokohama, ao sul de Tóquio.

Nessa reunião, segundo o comunicado, os membros do Conselho destacaram a importância da aliança da Nissan com a francesa Renault e a japonesa Mitsubishi e garantiram que as decisões adotadas hoje não alteram esse objetivo.

Além disso, a Nissan Motor ressalta sua intenção de "minimizar o impacto potencial e a confusão na cooperação diária entre os sócios da aliança" por causa dos fatos que levaram à detenção de Ghosn.

A empresa também anunciou que três membros do Conselho ficarão encarregados de integrar um comitê especial para melhorar os sistemas de gestão quanto às compensações econômicas que seus diretores recebem.

Esse mesmo comitê também terá como missão propor os nomes dos candidatos a ocupar a presidência do Conselho de Administração, em substituição de Ghosn.