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Inteligência artificial, a nova aliada da medicina na China

2019-05-22T10:09:00

22/05/2019 10h09

Paula Escalada Medrano.

Hangzhou (China), 22 mai (EFE).- Marcar consultas com especialistas, dar diagnósticos e realizar exames médicos em zonas remotas da China rural são algumas das vantagens que estão chegando à medicina graças à inteligência artificial e à sua capacidade de "replicar" os cérebros dos médicos.

"Uma das nossas metas é ajudar os médicos mais jovens a se tornarem médicos especialistas graças a máquinas que reproduzem o cérebro dos veteranos", explicou à Agência Efe a vice-presidente da plataforma We Doctor, Cheng Yi.

As máquinas já conectam pacientes a médicos, assim como generalistas a especialistas, e realizam exames como ultrassonografias, ressonâncias magnéticas e tomografias com a base de dados integrada.

"As melhores oportunidades da inteligência artificial estão no setor da saúde e estão na China, já que temos mais de dois milhões de médicos e milhões de dados de pacientes para serem analisados e comparados", comentou a porta-voz da plataforma, que surgiu há quase uma década e que recebeu investimentos de grandes empresas, como a gigante de tecnologia Tencent.

Em um país com quase 1,4 bilhão de pessoas, a inteligência artificial busca atenuar problemas como a falta de profissionais experientes, os hospitais sobrecarregados e com falta de recursos e as longas listas de espera para exames e consultas.

"O número de pacientes atendifos nesta clínica local tem dobrado graças ao sistema de diagnóstico: o nosso robô de ultrassonografias", contou Hu Hairong, diretora-geral da Demetics Medical Technology, outra empresa do setor.

Em visita a um hospital público da cidade de Hangzhou, onde opera esse robô, Hu explicou que as máquinas são ainda mais úteis nos hospitais locais, onde quase não há especialistas.

"O nosso sistema visa ajudar os médicos, não substituí-los. Busca dar mais confiança a eles para obter resultados. Se as avaliações do médico coincidem com o diagnóstico da máquina, a confiança é maior. Caso isso não aconteça, a máquina compara a opinião do médico com as de outros especialistas que podem sem contactados por videochamada e também recebem os resultados", esclareceu.

A máquina promete ser mais certeira que um humano, já que "tem 85% de precisão ao definir se um tumor é maligno ou benigno". Segundo Hu, entre os médicos esse número vai de 60% a 70%. Empresas como a dela pretendem solucionar as carências do país graças à numerosa população.

"A China tem uma grande população e, graças a isso, temos muitos diagnósticos, então podemos treinar a máquina com milhares de algoritmos para que aprenda com os dados", exemplificou Hu.

Outro dos problemas que a inteligência artificial tenta solucionar é oferecer aos habitantes de zonas remotas da China rural acesso a exames sem a necessidade de viajar dezenas de quilômetros. Para isso, a We Doctor desenvolveu estações de diagnóstico móveis.

Funciona da seguinte forma: generalistas usam esses veículos - equipados com diversos instrumentos - para viajar e realizar exames. Depois, os resultados podem ser enviados a especialistas.

"Este projeto desempenha um papel fundamental em lugares sem médicos especialistas que sejam capazes de interpretar imagens, uma especialidade que requer muitos anos de estudo", afirmou a vice-presidente da We Doctor.

A empresa também conta com um produto de atendimento caseiro, o 'WeDoctor Tong', um aparelho (desenvolvido pelas universidades de Zhejiang e Harvard) com o qual é possível ligar para um médico por videochamada.

Com os dados fornecidos por acessórios (um termômetro, uma máquina de medição da glicose, entre outros) - que são acessados pelo médico na linha -, o profissional terá uma visão mais precisa do estado do paciente.

A plataforma pode inclusive ser usada para a medicina chinesa tradicional, com robôs que "trabalham como assistentes" dos médicos.

"A medicina tradicional é baseada na experiência dos médicos veteranos. Desenvolvemos máquinas para copiar os seus cérebros e replicar os seus conhecimentos e experiências", disse Cheng.

Cerca de 1.200 instituições de medicina chinesa tradicional já contam com o auxílio de robôs. As máquinas ajudam, por exemplo, a determinar tratamentos adequados para as dolências.

"Dizem, por exemplo, que ervas você pode ou não misturar e qual a quantidade a ser utilizada", ilustrou a vice-presidente da plataforma. EFE

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