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Boeing detecta peças defeituosas em mais de 300 aviões do modelo 737

Divulgação
Imagem: Divulgação

Washington, 3 jun (EFE).- A Boeing informou às autoridades de aviação dos Estados Unidos que mais de 300 aviões dos modelos 737 NG e 737 Max têm peças "fabricadas de maneira inadequada", segundo informou a Administração Federal de Aeronáutica (FAA).

As peças afetadas são as "slats" dos bordos de ataque das asas que modificam as características de ascensão e resistência durante decolagens e aterrissagens fabricados por um fornecedor da Boeing, afirmou a FAA em comunicado.

Segundo a FAA, na investigação foi determinado que há 32 Boeing NG e 33 Boeing Max afetados nos Estados Unidos. No total, e em todo em mundo, são "133 NG e 179 Max" os aviões afetados por estas peças defeituosas, segundo a FAA.

Quase todos os países do mundo mantêm em terra os Boeing 737 Max depois de dois acidentes ocorridos em um intervalo de cinco meses.

Em outubro de 2018, um avião utilizado pela companhia aérea Lion Air caiu 12 minutos depois da decolagem na Indonésia, causando a morte de 189 passageiros e tripulantes. Em março, aconteceu o mesmo com um avião operado pela Ethiopian Airlines que caiu seis minutos depois da decolagem matando 157 pessoas.

A Boeing anunciou em meados de maio que tinha completado a atualização de software e finalizado seus testes correspondentes, com 207 voos e mais de 360 horas no ar, para que os aparelhos voltassem a operar, e que, além disso, fornecia informações adicionais requeridas à FAA.

Peças suscetíveis a falhas e rachaduras

Segundo a nota recente da FAA, "as peças afetadas podem ser suscetíveis a falhas ou rachaduras prematuras como resultado do processo de fabricação inadequada". "Embora uma falha completa do mecanismo da asa não resulte na perda do avião, persiste o risco de que uma parte danificada cause danos no avião durante voo", acrescentou.

Nesta segunda-feira (3), em Seul, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) apontou para a necessidade de manter critérios unificados em matéria reguladora após os casos envolvendo os 737 Max e com a aprovação de resoluções que abrangem aspectos ambientais.

A necessidade de revisar os processos de certificação para evitar divergências como as ocorridas após os acidentes de outubro e março com esse modelo de avião foi um tema recorrente durante a 75ª Assembleia Geral da Iata, realizada neste ano em Seul.

Embora finalmente o 737 Max tenha sido vetado de voar na maior parte do mundo, a aparente falta de consenso dos distintos reguladores após os dois acidentes que deixaram 346 mortos e nem um só sobrevivente puseram em dúvida o mencionado marco e revelaram aparentes divergências.

Após o anúncio da FAA, Kevin McAllister, presidente e principal executivo da Boeing Commercial Airplanes, disse à imprensa que a empresa "entrou em contato com os operadores do 737 e os aconselhou a inspecionar os mecanismos das asas de certos aviões".

O Boeing 737 Max é um avião que realizou seu primeiro voo em janeiro de 2016, e entre seus principais usuários estão companhias aéreas como Southwest Airlines e American Airlines, dos EUA, assim como Air Canadá e China Southern Airlines.

Até março, a empresa com sede em Chicago tinha fabricado 393 desses aviões, cada um com um custo de cerca de US$ 100 milhões.

Por que os voos com o 737 Max foram suspensos no mundo todo

UOL Notícias
Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente o nome da peça defeituosa detectada pela Boeing. O nome correto é "slat". Além disso, o texto dizia que o 737 realizou seu primeiro voo em 2016. Na verdade, o modelo em questão é o 737 Max. As informações foram corrigidas.

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