PUBLICIDADE
IPCA
+0,25 Jan.2021
Topo

Brasil diz ao Paraguai que não há proibição de envio de remessas em reais

06/06/2019 16h03

Assunção, 6 jun (EFE).- O ministro da Fazenda do Paraguai, Beningo López, disse nesta quinta-feira que não há proibição oficial do Brasil sobre o envio de remessas de reais para o país.

Acompanhado do presidente do Banco Central do Paraguai, José Cantero, López esteve ontem em Brasília e se reuniu com representantes do governo de Jair Bolsonaro. Deles, ouviu que a proibição do envio de remessas do Paraguai para o Brasil foi uma "decisão unilateral" tomada por um dos bancos do país.

"Disseram que não há uma proibição do governo brasileiro, que são decisões unilaterais dos bancos diante dos questionamentos que estão recebendo de promotores e juízes do processo da Lava Jato", afirmou.

A instituição financeira em questão é o Banco Paulista, investigado nos dois países por vínculos com lavagem de dinheiro.

Há duas semanas, o jornal "O Globo" revelou operações suspeitas entre o Banco Paulista, com sede em São Paulo, e o Banco Basa, antigo Amambay, que pertence à família de Horacio Cartes, presidente do Paraguai entre 2013 e 2018.

O jornal afirmou que a Polícia Federal investiga o Banco Paulista por receber R$ 6,7 bilhões em remessas de dinheiro vindas do Paraguai em aviões fretados. A maior parte das operações teria sido feita com o banco ligado a Cartez.

A investigação considera que não há atividade comercial no país vizinho capaz de justificar a quantidade de dinheiro movimentado.

A decisão da instituição financeira brasileira de não mais receber as remessas dos bancos paraguaios tem repercutido no mercado local, já que o real é de uso frequente na região da fronteira.

O ministro da Fazenda do Paraguai ainda informou que enviará ao Brasil todas as informações necessárias sobre a consistência da atividade econômica na fronteira. E ressaltou que esse movimento de dinheiro entre os dois países é "lícito e legal".

López também questionou a avaliação da Polícia Federal de que a movimentação de remessas entre os bancos é superior ao que valor que os turistas brasileiros teriam gasto no Paraguai.

Para o ministro, a defasagem não existe porque a estatística só contabiliza os turistas que pernoitam no país e não considera aqueles que cruzam a fronteira ainda durante o dia.

"Entravam no Paraguai 300 mil turistas por ano do Brasil, mas esse dado faz referência aos que ficam para dormir. No entanto, o fluxo de turistas do dia, de gente que vai e vem cruzando a fronteira, varia entre 20 e 30 milhões de pessoas", explicou López.

Esta será uma das informações que o Paraguai enviará ao governo e aos bancos brasileiros. A intenção, segundo ministro da Fazenda do país vizinho, é que "todos fiquem tranquilos".

"Vai depender também que os bancos paraguaios possam dar as respostas corretas aos seus correspondentes na hora das transferências. Se todos sabemos que as operações são regulares, não teria que haver nenhum problema para justificar isso", afirmou.

López não soube calcular a quantidade de reais que está parada no Paraguai nem o impacto que a proibição do envio pode ter nas cidades da fronteira, que sofrem com a queda do consumo dos brasileiros. EFE