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Greves e protestos tomam Hong Kong contra lei de extradição à China

11/06/2019 10h11

Hong Kong/Pequim, 11 jun (EFE).- A sociedade civil de Hong Kong aumentou sua mobilização contra a proposta de lei de extradição à China, que poderia pôr em risco os direitos dos cidadãos, com a convocação de uma greve geral amanhã, precedida nesta terça-feira de uma greve de fome e uma manifestação na sede do Conselho Legislativo, onde o projeto deve ser submetido à segunda leitura.

O processo de tramitação da polêmica proposta parece ter gerado, além disso, uma polêmica a mais, pois o presidente do Conselho Legislativo de Hong Kong, Andrew Leung, anunciou hoje que os deputados não votarão o texto até quinta-feira da semana que vem.

As mobilizações começaram com os escritores do grupo Pen Hong Kong, que iniciaram uma greve de fome de 24 horas às 20h (horário local, 9h em Brasília).

Duas horas depois, grupos a favor da democracia convocaram milhares de cidadãos a rodear as instalações do Conselho Legislativo da cidade e pediram que permaneçam ali até quarta-feira, quando está prevista a segunda leitura da proposta de lei nessa sede.

Por sua vez, a greve geral está prevista para amanhã, 12 de junho, e já é chamada de "Greve 612", em referência ao mês e ao dia da convocação da mesma por sindicatos de ônibus e de aviação, professores, Igreja Católica, hospitais, setor da assistência social e pela Confederação de Sindicatos.

Centenas de estabelecimentos, restaurantes, lojas, livrarias e cafeterias anunciaram a intenção de aderir à greve, assim como sindicatos de professores e escolas, pequenos hotéis, escritórios de advocacia, trabalhadores sociais e mais de 40 grupos religiosos e de bem-estar social.

Empresas como Cathay Pacific, Craft Coffee Roaster e Call 4 Van anunciaram fechamentos solidários, permitindo que seus funcionários se unam ao protesto.

Em uma declaração publicada no Facebook, o sindicato de motoristas de ônibus pediu que todos os membros dirijam a uma velocidade "segura", muito abaixo do limite de velocidade, e não tentem ultrapassar outros veículos.

Antes da reunião de hoje do Conselho Executivo da cidade, a chefe do Executivo, Carrie Lam, advertiu contra tais ações, dizendo que o povo deveria considerar se faria algum bem à sociedade.

"Faço um apelo às escolas, pais, instituições, empresas e sindicatos para que considerem seriamente se estas ações radicais são de defesa mesmo", disse Lam.

Na mesma linha se manifestou o legislador do Partido Trabalhista, Fernando Cheung, que opinou que a greve não é construtiva para a sociedade, embora tenha admitido que pode enviar uma mensagem forte e clara ao governo.

"O que está em jogo é muito mais do que poderíamos perder, inclusive se fizermos a greve. Isto deveria ser uma recordação alarmante para o governo de que deve adiar a apresentação do projeto de lei sobre foragidos, que acreditamos que seria muito mais prejudicial para Hong Kong", declarou Cheung.

A proposta de lei fez soar os alarmes de grupos de defesa dos direitos humanos em Hong Kong, assim como de cidadãos e trabalhadores de diversos setores, que acreditam que, com essa modificação de duas leis, a China pode abusar do mecanismo de extradição para sufocar a dissidência e acabar com a liberdade de expressão no arquipélago.

No entanto, para o governo de Pequim, não há motivo para alarde.

"A China outorga grande importância à proteção e promoção dos direitos humanos", afirmou hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Geng Shuang durante sua entrevista coletiva diária.

"O nosso sistema judicial garante totalmente todos os direitos dos suspeitos. Extraditaram mais de 260 suspeitos de muitos países da Europa, Ásia, África e América Latina. Isto demonstra a confiança da comunidade internacional no sistema judicial da China", acrescentou.

Fontes das forças de segurança locais citadas pelo jornal de Hong Kong "South China Morning Post" indicaram que foi preparado um esquema de cinco mil policiais para conter os protestos, que no domingo reuniram mais de um milhão de manifestantes, segundo os organizadores da manifestação - cerca de 250 mil, segundo a polícia. EFE

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