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Díaz-Canel confirma descentralização da economia cubana a partir de 2020

2019-06-15T21:30:00

15/06/2019 21h30

Havana, 15 jun (EFE).- O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que a partir de 2020 os planos econômicos "não virão de cima" e que os funcionários é que planejarão as metas das empresas estatais, uma "medida audaz" do Governo para tentar fazer a combalida economia do país voltar a funcionar.

O primeiro presidente cubano sem sobrenome Castro em quase 60 anos se referiu à nova normativa ao encerrar um congresso de economistas, necessários "para aplicar com sucesso a decisão", segundo publicou neste sábado o jornal estatal "Granma" em uma nota na capa.

Com a descentralização de sua economia, Cuba põe fim a décadas de verticalidade em seus planos econômicos, um método que se foi eficaz nos primeiros anos de Revolução, hoje se tornou um empecilho para a nação caribenha, empenhada em não entrar de novo em uma intensa crise como a do período "especial" da década de 90.

Para muitos especialistas o principal desafio desta transformação está em mudar a cultura de "verticalidade" que não questiona as ordens de uma estrutura superior.

"Para esta medida reivindicada durante anos se tornar efetiva é necessário uma mudança de mentalidade. Saltar para o novo momento e saber que o Plano não vai mais vir de cima. Trata-se de uma medida audaz e revolucionária que exige objetividade, realismo e consciência", insistiu Díaz-Canel.

Segundo o presidente cubano, a corrupção e as ilegalidades, a pouca poupança, o endividamento e a receita insuficiente das exportações estão entre os principais problemas da economia do país, que tenta afastar o fantasma da recessão, que reapareceu em 2016 (-0,9%) pela primeira vez em mais de 20 anos.

O país caribenho conseguiu se recuperar com 1,6% de crescimento em 2017 e 1,2% em 2018 - segundo dados oficiais não auditados por organismos internacionais - e espera um "realista" 1,5% este ano, meta que corre o risco de não ser atingida devido ao endurecimento do embargo econômico dos Estados Unidos e à nova proibição de que cruzeiros de turismo atraquem no litoral cubano.

A crise endêmica de sua aliada Venezuela, que diminuiu drasticamente seus envios de petróleo subsidiado; o fim de milhares de contratos de serviços médicos no Brasil e os danos causados por fenômenos naturais também poderiam influir negativamente neste resultado.

Díaz-Canel pediu aos economistas e dirigentes para adotarem "uma atitude mais proativa, inteligente e concreta a fim de impulsionar soluções seguras e específicas que reforcem as estruturas e as equipes de direção e gestão econômica".

O presidente de Cuba também pediu para se mudar a "mentalidade de importação que atenta contra a iniciativa e a criatividade", e para desenvolver o investimento estrangeiro e a criação de empresas mistas", assim como "organizar o setor privado, sem travar ou frear seu desempenho".

"O fim do 'bloqueio' (embargo americano) não depende de nós, mas sim trabalhar com inteligência, esforço e criatividade coletiva. Junto com a defesa do país, a economia é a batalha fundamental da Revolução, portanto devemos usar nossos conhecimentos para torná-la próspera e sustentável", finalizou Díaz-Canel. EFE

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