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Argentina restabelece eletricidade após blecaute histórico em dia de eleições

2019-06-16T20:16:00

16/06/2019 20h16

Buenos Aires, 16 jun (EFE).- Uma falha na transmissão de energia elétrica fez com que a Argentina acordasse neste domingo, no qual comemora o Dia dos Pais e realiza eleições em quatro províncias, com um blecaute histórico do qual foi se recuperando pouco a pouco e que já é objeto de investigação.

Pouco depois das 7h (mesma hora de Brasília) de um dia de intensas chuvas em grande parte do país, as casas e ruas ficaram em completa escuridão e, apenas três horas depois, foi relatado que a situação começava a se normalizar "lentamente" no país, onde, por volta das 18h, o fornecimento tinha sido normalizado em 89%.

O repentino corte de luz - que afetou também o Uruguai e áreas do Paraguai - fez com que os trens e o metrô fossem suspensos em Buenos Aires, enquanto os principais aeroportos se salvaram por contar com geradores próprios.

O blecaute afetou também a distribuição de água potável, o que levou a empresa encarregada do fornecimento na capital e no seu populoso cinturão urbano - que aglutinam 13 milhões das 40 milhões de pessoas que vivem na Argentina - a pedir aos usuários que racionalizassem o consumo em seus domicílios.

Quanto aos hospitais, em Buenos Aires foi ativado um plano de emergência para garantir o atendimento dos pacientes, com instalação de geradores em unidades de tratamento intensivo e em salas de cirurgia.

Em várias mensagens no Twitter publicadas sete horas depois do início do blecaute, o presidente do país, Mauricio Macri, classificou o ocorrido como "um caso inédito" e ressaltou que será investigado a fundo; enquanto o secretário de Energia, Gustavo Lopetegui, convocou uma entrevista coletiva na qual se mostrou taxativo: o blecaute é "algo muito grave" e não pode voltar a acontecer.

A explicação oficial indica que a falha na rede se originou por um colapso do Sistema Argentino de Interconexão (SADI), concretamente em uma conexão de transmissão de eletricidade no nordeste do país, perto da fronteira, entre as usinas hidrelétricas de Yacyretá, de gestão argentino-paraguaia, e Salto Grande, argentino-uruguaia.

Embora Lopetegui tenha ressaltado que este tipo de falha ocorra com assiduidade em qualquer país, o que reconheceu como "anormal ou extraordinário" foi a "cadeia de eventos posteriores" que causaram a desconexão total.

Nas próximas 48 horas, as empresas encarregadas da distribuição elétrica deverão apresentar um relatório preliminar sobre o ocorrido e um definitivo em um prazo de 10 dias, e a lei prevê sanções para aqueles que forem considerados responsáveis.

"Foi uma falha simples, uma falha que pode acontecer em um dia como hoje por exemplo, por um problema de umidade, falhas que ocorrem em todos os sistemas diariamente. Podem ser inclusive em condições excelentes meteorologicamente falando. Mas devem ser espaçadas sem que o usuário final e o mercado elétrico a note", disse à imprensa Carlos García Pereira, diretor da companhia de transmissão de energia elétrica Transener.

A desinformação e a incerteza marcaram o começo do dia devido aos efeitos do blecaute na rede telefônica e pela impossibilidade de carregar a bateria dos celulares.

O fato de ter acontecido durante um domingo, véspera de uma segunda-feira que será feriado na Argentina, favoreceu que a atividade nas cidades não transcorresse com a intensidade de qualquer outro dia e não gerasse maiores problemas, além das lojas e restaurantes que tiveram que fechar, com as respectivas perdas por hoje ser Dia dos Pais no país.

Por outro lado, foram especialmente afetadas as províncias de Santa Fé (nordeste), San Luis (centro) e Formosa (norte), nas quais hoje foram realizadas eleições para o governo local, e onde, apesar de não terem sido canceladas, foram registrados problemas na hora de iluminar os colégios eleitorais, principalmente no começo da manhã.

Na mais austral das províncias, Tierra del Fuego, situada na ilha de mesmo nome, também foram realizados pleitos e estes contaram com fornecimento elétrico por não depender do SADI.

O histórico blecaute aconteceu a pouco mais de quatro meses das eleições presidenciais de 27 de outubro - que estarão antecedidas pelas primárias de 11 de agosto - e o incidente já foi criticado pelos principais opositores de Macri.

Entre eles o pré-candidato à presidência Alberto Fernández, que fez referência aos aumentos nas tarifas elétricas impulsionados pelo governo nos últimos anos.

"Milhões de argentinos, que precisam pagar somas siderais em tarifas com as quais se beneficiam os amigos do poder, ainda esperam que a energia volte aos seus lares", criticou no Twitter o líder da Frente de Todos, que concorrerá com a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata à vice-presidência.

Desde que chegou ao poder em dezembro de 2015, Macri empreendeu uma política de aumento das tarifas da luz, do gás e da água, com o objetivo, segundo seu governo, de normalizar o sistema energético após anos de desinvestimento na gestão kirchnerista.

Esta decisão gerou uma longa polêmica, e parte da oposição acusou o governo de favorecer os empresários energéticos.

"O blecaute vem depois de três anos de tarifaços de mais de 1000% na energia. Nos disseram que era para investimento. E o resultado é um enorme blecaute", lamentou o peronista Sergio Massa, que exigiu que funcionários responsáveis pelo sistema elétrico compareçam ao Congresso para explicar "semelhante desastre". EFE

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