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Fed abre reunião de política monetária sob pressão de Trump para cortar juros

18/06/2019 19h25

Alfonso Fernández.

Washington, 18 jun (EFE).- O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, abriu nesta terça-feira uma reunião de dois dias sobre a política monetária do país em meio aos insistentes pedidos do presidente americano, Donald Trump, para que os juros de referência sejam reduzidos.

Justo quando os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed iniciavam o encontro em Washington, Trump surpreendeu e disparou contra outro alvo: a política de incentivo do Banco Central Europeu (BCE), um caminho que o presidente americano quer que o Fed siga.

"(Mario) Draghi (presidente do BCE) acaba de anunciar que virão mais estímulos, o que imediatamente desvalorizou o euro em relação ao dólar, tornando para eles mais fácil a competição contra os EUA", escreveu Trump no Twitter.

"O mercado (de ações) europeu sobe após os comentários injustos para os EUA feitos hoje por Mario D.!", acrescentou o presidente americano.

A reunião do Fed terminará na tarde de amanhã. Ao fim do encontro, serão divulgadas novas projeções de crescimento econômico, que serão explicadas em entrevista coletiva pelo presidente do o banco central, Jerome Powell.

As atenções estão sob o uso do termo "paciente", ao qual ao Fed tem recorrido na hora de caracterizar um possível ajuste nas taxas de juros dos EUA, atualmente entre 2,25% e 2,5%.

A escalada na guerra comercial provocada pelo protecionismo de Trump aumentou a inquietação global sobre o crescimento da economia americana. Outro sinal de alerta é a persistente baixa inflação, indício que abriu caminho para que o Fed passasse a cogitar reduzir as taxas de juros, algo impensável no início do ano.

"Estamos monitorando de perto as implicações desses fatos sobre as perspectivas econômicas dos EUA. E, como sempre, atuaremos de maneira apropriada para sustentar a expansão econômica com um mercado de trabalho forte e uma inflação perto da nossa meta de 2%", disse Powell durante uma conferência realizada no início deste mês em Chicago.

As declarações de Powell foram interpretadas como o primeiro reconhecimento de que o Fed pode atender aos pedidos de Trump e cortar a taxa básica de juros.

O Fed está na mira do presidente americano desde dezembro do ano passado, quando o órgão decidiu elevar os juros - a última modificação feita no patamar. Para Trump, a medida foi um erro.

Os indicadores econômicos mais recentes, no entanto, mostram que a economia americana está saudável e cresceu 3,1% no primeiro trimestre. O desemprego fechou março em 3,6%, nível não visto em quase meio século.

O já complexo cenário a ser analisado pelo Fed foi agitado como anúncio de uma "reunião prolongada" entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, após semanas de troca de farpas entre os negociadores dos dois países. A expectativa é que os dois consigam firmar uma nova trégua na guerra comercial e reabram as negociações para resolver o impasse.

Como consequência, alguns integrantes do Fed começaram a discordar publicamente sob os rumos a serem seguidos pelo órgão.

"Quero esperar um pouco mais de tempo (para avaliar uma redução dos juros) porque alguns destes fatores podem se reverter", disse o governador do Fed de Dallas, Robert Kaplan.

Já James Bullard, do Fed de Saint Louis, ressaltou que a incerteza no comércio global é um argumento forte para cortar os juros nos EUA.

Apesar das divergências e da pressão de Trump, analistas apostam que o Fed manterá as taxas de juros nesta reunião, sinalizando um reajuste para o próximo encontro do Fomc, marcado para ocorrer no fim de julho.

"Se reagir, o Fed corre o risco de provocar a volatilidade que está tentando sufocar", alertou o economista-chefe da RBC Capital Markets, Tom Porcelli. EFE

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