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Receita da França está investigando Carlos Ghosn, segundo jornal

24/06/2019 10h06

Paris, 24 jun (EFE).- A administração tributária da França está realizando uma investigação fiscal sobre o atestado de residência, desde 2012, do ex-presidente da Renault e da Nissan, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, segundo revelou nesta segunda-feira o jornal "Libération".

A chamada revisão de situação fiscal pessoal (ESFP) foi iniciada pelo Ministério da Fazenda e tem um caráter particularmente minucioso, segundo o jornal.

Quem será responsável pela revisão é a Direção Nacional de Verificações de Situação Fiscal (DNVSF), responsável pelos seis mil contribuintes mais ricos do país e pelos casos considerados sensíveis.

No tempo de aproximadamente um ano, a DNVSF estudará em detalhes as rendas dos últimos anos de Ghosn e pretende determinar a realidade de sua residência fiscal, que desde 2012 declara na Holanda e não na França.

A mudança da residência de Ghosn à Holanda foi justificada formalmente porque a sociedade que rege a aliança entre Renault e Nissan (RNBV) está domiciliada em Amsterdã.

No entanto, isso requer residir efetivamente mais da metade do ano (183 dias) e a Receita francesa tem dúvidas a respeito e utilizará diferentes provas para comprovar tais fatos, segundo "Libération".

Entre elas estão os planos de voo para o jato particular que ele utilizou (um Gulfstream G650 com número de registro N155AN), as passagens de outras companhias aéreas e as contas de celular que podem indicar em qual país estava em determinado momento.

Os inspetores fiscais franceses também esperam consultar uma auditoria realizada pelo gabinete de perícia contábil Mazars apresentada ao Conselho Administrativo da Renault em 4 de junho, na qual calculou que Ghosn pode ter se beneficiado pessoalmente de 11 milhões de euros da RNBV.

O Ministério Público de Nanterre, nos arredores de Paris, abriu duas investigações, a primeira por transferências de fundos por parte da Nissan a um de seus distribuidores em Omã, que se suspeita que puderam ter sido utilizadas para interesse particular do brasileiro.

A segunda investiga quem pagou as despesas de seu casamento, realizado no Palácio de Versalhes em 8 de outubro de 2016.

O Ministério da Fazenda da França afirmou à Agência Efe que não pode se pronunciar publicamente sobre nenhuma causa por sigilo profissional e fiscal. O gabinete que exerce a função de porta-voz de Ghosn também não quis se pronunciar. EFE

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