Topo

Opositores de Macri chamam acordo entre UE-Mercosul de desleal e entreguista

28/06/2019 19h48

(Atualiza com declarações de Alberto Fernández).

Buenos Aires, 28 jun (EFE).- Diversas vozes da oposição ao governo do presidente da Argentina, Mauricio Macri, criticaram o acordo de livre-comércio assinado entre Mercosul e União Europeia (UE), classificado pelos críticos como "entreguista" e avaliado como "ataque desleal" à indústria nacional.

Enquanto os governistas comemoraram a notícia como algo histórico após 20 anos de negociações, diferentes personalidades da política argentina foram às redes sociais para atacar o pacto e tentar minimizar o feito de Macri, candidato à reeleição nas eleições presidenciais de outubro.

"Não está claro quais seriam os benefícios concretos para o nosso país, mas está claro quais seriam os prejuízos para nossa indústria e para o (mercado de) trabalho argentino. Um acordo assim não gera nada para festejar, mas muitos motivos para nos preocupar", disse Alberto Fernández, principal adversário de Macri no pleito presidencial, no Twitter.

Já Axel Kicillof, ex-ministro de Economia durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015) e pré-candidato ao governo da província de Buenos Aires, definiu o fim das negociações como uma "tragédia" para a Argentina.

O senador Pino Solanas afirmou que o acordo promoverá a desindustrialização da Argentina.

"Não pode ser que Macri siga nos entregando", disse Solanos, também candidato, mas desta vez a deputado, pela peronista Frente de Todos, principal coalizão de oposição a Macri.

Pré-candidata à presidência do país pelo Novo Movimento ao Socialismo, Manuela Castañera mostrou seu mal-estar ao responder o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, que tinha classificado o acordo como um "fato histórico" e com "enorme potencial" para aumentar os investimentos e promover o crescimento do país.

"Dujovne diz que o acordo entre Mercosul e União Europeia é histórico. Sim, é histórico pela entrega e pela abertura do comércio ao livre mercado que vai destruir postos de trabalho no nosso país. Rejeitamos este acordo entreguista", afirmou.

O peronista Miguel Ángel Pichetto, que será candidato a vice-presidência na chapa de Macri, tentou amenizar as críticas nas redes sociais.

"A conquista é resultado de um trabalho em equipe de vários anos e representa um fato enormemente positivo para todos os argentinos", disse.

O acordo entre UE e Mercosul eliminará a maior parte das tarifas sobre as exportações europeias para o mercado sul-americano e tornará as empresas do bloco mais competitivas na região, já que elas pouparão 4 bilhões de euros em taxas por ano.

As negociações entre os blocos começaram há 20 anos, no Rio de Janeiro, foram suspensas em 2004 e só foram retomadas em 2010.

O chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, disse que a negociação só ganhou fôlego nos últimos anos graças à liderança regional de Macri e ao trabalho com os demais países do Mercosul e da UE. EFE

Mais Economia