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UE fez significativas concessões agrícolas, mas vê resultado equilibrado

28/06/2019 18h00

Bruxelas, 28 jun (EFE).- O comissário de Agricultura da União Europeia (UE), Phil Hogan, reconheceu nesta sexta-feira que o bloco fez "significativas concessões" nas áreas agrícola e agroalimentar ao fechar o acordo comercial com o Mercosul, mas alegou que o resultado obtido foi "equilibrado".

"Não se pode negar que tivemos que fazer significativas concessões para garantir um resultado equilibrado, integral e ambicioso", declarou Hogan em entrevista coletiva sobre a concretização do acordo, em Bruxelas.

Os obstáculos no setor agrícola, tema sensível para europeus e sul-americanos, só foram resolvidos na reta final das negociações. Hogan explicou que a UE insistiu na proteção de alguns segmentos importantes e que conseguiu um "acordo equilibrado que responde a essa ambição".

O comissário europeu disse que conseguiu o fim das tarifas de importação sobre todos os vinhos e cervejas importados do continente para o Mercosul, assim como significativas cotas livres de taxas para a venda de queijos e produtos lácteos da UE.

Os blocos também acertaram a simplificação dos procedimentos de exportação para que as empresas do setor do agronegócio tenham mais facilidade para negociar entre si.

Hogan destacou que os produtos de alta qualidade da UE serão protegidos pela indicação geográfica, o que, segundo ele, será uma "garantia" para os consumidores no bloco e uma oportunidade para que os produtores reforcem suas posições no mercado.

"Este acordo é o mais importante já feito sobre indicações geográficas dentro de um tratado comercial. E, como resultado, 370 indicações geográficas europeias estarão protegidas de imitações nos quatro países do Mercosul", revelou Hogan.

O comissário europeu ressaltou que os segmentos nos quais houve mais disputa foram os de carne bovina e açúcar. Segundo ele, foi possível chegar a um "equilíbrio" entre as ambições e expectativas do Mercosul e as preocupações dos agricultores europeus.

Para a carne de frango, a bovina, o mel e o etanol, de acordo com Hogan, o acesso ao mercado europeu será feito em formas cotas livres de tarifas, que serão implementadas ao longo de vários anos e sob determinadas condições.

"Quando houver um aumento repentino das importações, o acordo de hoje permite a aplicação de algumas medidas de salvaguarda que darão mais proteção aos agricultores europeus", enfatizou o comissário.

A cota de carne bovina, por exemplo, subirá para 99 mil toneladas, o que representa 1,25% do consumo da UE. Hogan explicou que o acordo prevê uma implementação do número em um período de cinco anos.

"No ano passado, importamos dos quatro países do Mercosul quase 270 mil toneladas de (carne) bovina. Portanto, já somos um parceiro bem estabelecido da região", frisou.

Os blocos também acertaram melhorar as condições de uma cota já existente de 180 mil toneladas de açúcar do Mercosul para UE. Elas não estarão livres de tarifas, segundo o comissário, mas será baseada no consumo médio anual da UE, de 18 milhões de toneladas.

"Esse volume representa 1% do nosso consumo anual, mas a cota será implementada ao longo de um período de cinco anos. Já somos importadores de substanciais quantidades de açúcar dos países do Mercosul", ressaltou o comissário.

O acordo assinado hoje também prevê a abertura de uma cota para a importação de 180 mil toneladas de carne de frango, que será implementada gradualmente em cinco anos.

O comissário fez questão de esclarecer que, durante a aplicação das cotas, os produtores europeus terão tempo para "fazer os ajustes necessários", da mesma forma que o Mercosul poderá fazer em outros setores relevantes do acordo.

"Estamos dispostos a auxiliar nossos agricultores caso haja perturbações no mercado. Para isso, um pacote de apoio preparado de cerca de 1 bilhão de euros irá proporcionar uma rede de segurança para os produtores, se necessário", disse o representante da UE.

Hogan também ressaltou que os produtos agrícolas importados do Mercosul terão que cumprir com os altos padrões de qualidade exigidos pelo bloco europeu, com risco de serem rechaçados, como ocorre atualmente em algumas ocasiões. EFE

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