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Ryanair confirma possibilidade de demissão de até 900 funcionários

01/08/2019 13h19

Dublin, 1 ago (EFE).- A companhia aérea irlandesa Ryanair confirmou nesta quinta-feira que pode reduzir o número de funcionários em até 500 pilotos e 400 tripulantes de cabine, devido, entre outros fatores, pelo impacto do Brexit, o aumento do preço do combustível e o atraso na entrega de aviões Boeing 737 Max.

A empresa apresentou hoje os detalhes, depois que o executivo-chefe, Michael O'Leary, expusesse o plano de reestruturação em um vídeo, enviado na véspera para os funcionários. Nas imagens, o dirigente pede desculpas pelo que classificou de "más notícias".

O'Leary afirma no vídeo, de quatro minutos de duração, que a redução do corpo de funcionários da Ryanair, composto por 19 mil pessoas, é inevitável.

O executivo-chefe havia afirmado na última segunda-feira que o lucro da companhia aérea sofreu redução de 21% no primeiro trimestre do atual ano fiscal, em valores que atingiram a marca de 243 milhões de euros (pouco mais de R$ 1 bilhão).

Segundo O'Leary, a queda é consequência do barateamento das passagens e do aumento dos custos com funcionários, causados por "grandes altas" salariais de pilotos e tripulantes de cabine, negociadas no ano passado.

"As más notícias chegam apenas duas semanas depois do anúncio de atrasos na entrega dos Boeing Max. Ao invés de adquirir 58 novos aviões para o verão de 2020, agora adquiriremos, no máximo, 30 destas aeronaves", destacou o diretor da Ryanair.

Além disso, O'Leary destacou que há grande possibilidade de o Reino Unido abandonar a União Europeia, sem acordo, em menos de três meses.

"Nos preocupa que tenha um efeito prejudicial, particularmente, nas nossas bases do Reino Unido e algumas da Irlanda, que dependem do trânsito de passageiros entre a Irlanda e o Reino Unido", detalhou.

No vídeo, o executivo-chefe não especificou o número exatos de trabalhadores que poderiam perder os postos de trabalho, embora tenha afirmado que há um "sobressalente" de cerca de 500 pilotos e 400 tripulantes de cabine.

Os cortes aconteceriam no fim da temporada de verão na Europa, entre setembro e outubro, e depois das festas de fim de ano, segundo apontou O'Leary, embora tenha ressaltado que não há um calendário já definido.

O sindicato irlandês que representa os trabalhadores da Ryanair desde maio de 2018 declarou estar acompanhando a situação de perto, embora admita não ter informações sobre rotas e bases que serão afetadas pelas demissões.

Anteriormente, o executivo-chefe da companhia explicou que o atraso na entrega dos aviões da Boeing reduziria o crescimento da empresa de 7% a 3%, em 2020. Por sua vez, o tráfego de passageiros poderia cair de 162 milhões para 157 milhões. EFE

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