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Diretor técnico do lado paraguaio de Itaipu renuncia após crise política

02/08/2019 19h12

Assunção, 2 ago (EFE).- O diretor técnico da parte do Paraguai na hidrelétrica de Itaipu Binacional, José Sánchez Tillería, renunciou ao posto nesta sexta-feira após o polêmico acordo assinado em maio com o Brasil sobre a usina e que colocou contra a parede o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez.

A renúncia foi divulgada pelo diretor paraguaio da Itaipu Binacional, Ernst Bergen, que assumiu o cargo nesta semana após a demissão de José Alderete, criticado por participar da assinatura do pacto com o Brasil que provocou a maior crise política do governo de Abdo Benítez.

Bergen disse em entrevista coletiva que a renúncia de Tillería se deve a "motivos pessoais" e admitiu a importância do cargo de diretor técnico da parte paraguaia da represa, que é compartilhada com o Brasil.

O anúncio coincidiu com o pedido feito pelo presidente do Senado, Blas Llano, a Abdo Benítez para a "destituição imediata" dos conselheiros de Itaipu.

Sobre essa questão, Bergen alegou que é uma "atribuição exclusiva do presidente da República", mas antecipou que "está considerando mudar" vários dos envolvidos no controverso acordo com o Brasil.

O acordo, que definia a compra anual - e até 2022 - de distribuição da energia da hidrelétrica de Itaipu, será investigado por uma comissão do Congresso, cuja formação foi anunciada nesta sexta-feira por Llano.

A comissão é composta por cinco membros do Senado e outros cinco da Câmara dos Deputados das principais forças políticas do país, que analisarão a ata de contratação da potência da usina hidrelétrica.

O acordo com o Brasil - que foi assinado em maio, mas só chegou a conhecimento público na semana passada - foi denunciado pela oposição como lesivo para o Paraguai e como um ato de entrega da soberania nacional. Ele foi cancelado ontem pelos dois países, no mesmo dia em que a oposição previa entrar com um pedido de impeachment contra Abdo Benítez e o vice-presidente, Hugo Velázquez.

O pedido, no entanto, não chegou a ser realizado depois que os legisladores da ala do Partido Colorado liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes decidiram voltar atrás. Esse grupo, rival da ala que é simpatizante de Abdo Benítez, tinha apoiado no dia anterior o pedido de impeachment.

Já o Partido Liberal, o principal da oposição, anunciou hoje que apresentará formalmente na segunda-feira o texto para um pedido de impeachment contra Abdo Benítez e Velázquez. EFE

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