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EUA e China evidenciam amplas divergências comerciais na cúpula da Asean

02/08/2019 12h18

Noel Caballero.

Bangcoc, 2 ago (EFE).- Os chefes da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e da China, Wang Yi - que estiveram em Bangcoc, capital da Tailândia, para a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) -, evidenciaram nesta sexta-feira suas amplas divergências comerciais, horas depois do anúncio de Washington sobre a imposição de novas tarifas a Pequim.

Pompeo acusou a China de se aproveitar durante décadas das facilidades comerciais concedidas às empresas chinesas, enquanto Wang acusou os americanos de tomar o caminho incorreto.

As desavenças entre China e EUA marcaram desde o início a cúpula em Bangcoc de ministros das Relações Exteriores da Asean e seus parceiros, que termina no sábado com reuniões de menor importância.

"Durante décadas, a China tem se aproveitado do comércio às custas dos EUA e de outros países na Ásia. Isto tem que acabar. O presidente (americano, Donald) Trump diz que regulará isso. E essa regulação requer determinação", disse Pompeo durante um ato na capital tailandesa.

As declarações de Pompeo foram precedidas pelo anúncio feito ontem por Trump sobre a imposição de tarifas de 10% sobre importações chinesas no valor de US$ 300 bilhões a partir de 1º de setembro.

"O que queremos é simples e os chineses chegaram a um acordo. Mas depois recuaram. Havia um acordo sobre a mesa que teria nos colocado em um bom caminho", acrescentou Pompeo.

Nesse sentido, o secretário de Estado americano criticou Pequim por não competir de uma maneira "justa" e "transparente", e pediu que o princípio de acordo seja retomado para a próxima rodada de conversas, prevista para o mês que vem nos EUA.

"Querem dos outros um tratamento justo, equilibrado, recíproco? Quando isto acontecer, a Ásia crescerá, o Sudeste da Ásia crescerá, a economia mundial crescerá. Mas não pode ocorrer quando um país recorre ao protecionismo para proteger seus bens e utiliza táticas depredadoras para negar a outras economias a oportunidade de crescer", argumentou Pompeo.

Por sua vez, Wang Yi respondeu com a rejeição da política protecionista e opinou que este não é o "caminho correto" para resolver as tensões entre ambos os países.

"Adicionar tarifas não é definitivamente uma maneira construtiva de resolver os atritos econômicos e comerciais", declarou o chefe da diplomacia chinesa na saída de uma reunião.

Vários países da Asean expressaram durante a cúpula "preocupação com as medidas de represálias" econômicas anunciadas pelos EUA, ao mesmo tempo em que reafirmaram seu compromisso com o livre-comércio, segundo indicou o subsecretário permanente da chancelaria da Tailândia, Arthayudh Srisamoot.

O conflito entre EUA e China também foi refletido nas reivindicações de Pequim pela soberania do Mar da China Meridional, uma região rica em recursos naturais que também é reivindicada por outros cinco países.

Neste sentido, Pompeo alertou para a "coação" da China aos países vizinhos, enquanto Wang Yi pediu às nações "externas" - em referência aos EUA - que não interfiram nem "semeiem desconfiança" entre as nações envolvidas.

Por sua vez, o presidente da Conferência da Asean, o ministro das Relações Exteriores da Tailândia, Don Pramudwinai, divulgou um comunicado após as reuniões do grupo no qual afirmava que os ministros da região "ressaltaram a importância de uma aplicação plena e efetiva da Declaração sobre a Conduta das Partes no Mar Meridional".

Além disso, "enfatizaram a importância da não militarização e da contenção em todas as atividades por parte de todos os demais Estados implicados", segundo o comunicado.

Na quinta-feira terminaram sem acordo em Xangai as primeiras conversas de alto nível desde que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, pactuaram uma trégua na reunião do G20 no final de junho pela qual os EUA deixaram de impor novas tarifas e permitiram a venda de produtos de tecnologia à companhia chinesa Huawei.

As tensões entre EUA e China têm raízes no desequilíbrio da balança comercial a favor do país asiático, que exporta US$ 419 bilhões a mais do que importa, o que Trump destacou que acontece devido a injustas práticas comerciais do gigante asiático. EFE

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